Ipatinga, 15 de Dezembro de 2018
LINHA DO TEMPO

19 DE MARÇO DE 1953

Nasceu em Italva, antiga vila de Campos, Rio de Janeiro, a “flumineira”, a professora e teatróloga de Ipatinga, ELIANE JOSÉ DE MORAES SANTOS



Eliane José de Moraes Santos


IPATINGA - Nasceu em Italva, antiga vila de Campos, Rio de Janeiro, a “flumineira”, a professora e teatróloga de Ipatinga, ELIANE JOSÉ DE MORAES SANTOS. Eliane passou a maior parte da infância e adolescência (dos três aos dezessete anos) em Minas Gerais (Barroso e Barbacena). Morou um ano em Brasília e Goiânia (1961). A razão das “mudanças” era o trabalho do pai, Francisco de Morais, funcionário da Cia. de Cimento Portland Paraíso, que possuía fábricas em diversas regiões do país. Somando a esse fator a “mistura” de origens (o pai era paulista e a mãe, Auda Barbosa de Melo, pernambucana) considera-se simplesmente “brasileira”, o que se percebe na ausência de sotaques regionais. O espírito de “brasilidade” sempre norteou sua vida e trabalho, desde a infância. Nasceu no contato com uma rica cultura popular (música, poesia, dança folclórica, folguedos e festas tradicionais brasileiras), somada à cultura acadêmica (adquirida nas escolas onde estudou, nas aulas de religião e canto orfeônico da Igreja Católica, no coral jovem e no Grupo Teatral de Barroso, nas aulas de acordeon – abandonadas por ordens médicas). Após concluir o curso de Magistério em Barbacena (1970), Eliane voltou para o Rio de Janeiro, onde cursou Letras na Faculdade de Filosofia de Itaperuna. Posteriormente, fez o curso de Direito e Pós-Graduação em Direito Público (de 1991 a 1996) na Fadivale, Governador Valadares - MG. Concluiu também a Pós-Graduação em Arte-Educação na PUC Minas (Belo Horizonte, 2004) e Pós-Graduação em Interpretação Teatral na Universidade Federal de Uberlândia - MG (2006). Em 2009, fez o curso “A Arte de Contar Histórias”, no Instituto Cultural Aletria (Belo Horizonte MG). Participou de vários cursos de artes e oficinas de teatro com professores e artistas de renome: Luiz Mendonça (Prêmio Molière na década de 1970), Walmir José, Augusto Boal, Amir Haddad, Ronaldo Boschi, José Luiz Ribeiro, Marcos Fayad, Raul Belém Machado, Ingrid Koudela, Ana Mae, Rita Gusmão, Marcos Hill, Vera Casanova, Christina Rizzi, Gil Amâncio, João Amaral, Denise Stochler, entre outros. Fez três anos de Biodanza em Ipatinga e no Rio de Janeiro, sob a orientação dos facilitadores Márcia Broger Soler e Victor Hugo Soler.

A primeira peça em que atuou foi “A Verdadeira História da Gata Borralheira”, de Maria Clara Machado (1966), no Grupo de Teatro de Barroso - MG, comandado pela empresária e diretora, Elisa Di Cusatis, e o então prefeito municipal, Dr. Couto. Foi “obrigada” pela mãe, pois a renda dos espetáculos era para contribuir na reforma da Maternidade, que seria transformada em hospital, uma carência da comunidade barrosense, na época. Em 1971, de volta ao Rio de Janeiro, começou a utilizar os conhecimentos de teatro, música e dança nas aulas que ministrava no Ensino Fundamental e, a partir de 1975, no Ensino Médio (aulas de Português e Literatura Brasileira). Os resultados surpreendentes no processo de aprendizagem e crescimento pessoal dos alunos animaram-na a procurar leituras e cursos de aperfeiçoamento, especialmente em teatro. A primeira peça que escreveu e dirigiu foi “A Viuvinha”, uma adaptação do romance de José de Alencar, apresentada por seus alunos de Ensino Médio no auditório da Faculdade de Filosofia de Itaperuna - RJ (1975).

No final de 1975, após casar-se com Valdir Ferreira dos Santos, engenheiro da Usiminas, veio para Ipatinga, onde iniciou um trabalho de arte-educação no Colégio Estadual João XXIII (1976 e 1977 – com alunos das aulas de Português) e no Colégio São Francisco Xavier (1976 – trabalho voluntário com alunos formandos das 8ª séries: “A Vela”; 1977 a 2004 - trabalho contratado: aulas de Português, Artes e atividades diversas extraclasse). Colaborou com o grupo de minijovens da Igreja Católica do Cariru, a convite da Eny (Irmã Leônia), orientadora educacional do CSFX. A primeira montagem, de sua autoria e direção, foi “Comunicação”, realizada com alunos do João XXIII e apresentada na festa de inauguração da nova biblioteca da escola. Posteriormente, o espetáculo representou Ipatinga no programa de Fernando Sasso (quadro Mineiros Frente a Frente) na extinta TV Itacolomi, conquistando o 1º lugar (1976). O mesmo prêmio foi conquistado por “A Última Esperança” (1980), com elenco formado pelo Grupo Teatral Quebra-Cabeça, do CSFX, e bailarinos da Academia Olguin. Em 1976, além de “A Vela”, Eliane dirigiu e atuou em “Morre um Gato na China” (peça de Pedro Bloch) a convite da ATAI (Associação de Teatro Amador de Ipatinga). O grupo da ATAI estava inoperante na ocasião, sem poder desfrutar de uma verba anual, concedida pela Prefeitura. No elenco havia também José Dutra (ex-funcionário da Usiminas) e Walter (o “Walltinho”, pequeno empresário local). Sousa Lobbo, artista plástico e bailarino da Academia Olguin, colaborou no cenário. Porém, o sucesso da peça só aconteceu em uma remontagem de 1978, quando o Centro de Difusão Cultural do CSFX assumiu a produção e Matozinho Luzia, professor de música, a sonoplastia. Walter Varanda, aluno do curso técnico de Metalurgia do CSFX substituiu o primeiro Walter, que havia se mudado para uma cidade distante. Martha Azevedo, famosa colunista social, destacou a qualidade do espetáculo, comparando-o aos bons trabalhos do Rio e São Paulo (Diário do Aço, 20/06/1978). Porém, a ATAI sumiu. Transformou-se mais tarde, quando Darci di Mônico retornou de São Paulo para Ipatinga, no Grupo Cleyde Yáconis.

Eliane conheceu Dona Zélia em 1976, como aluna de suas aulas de ginástica, na Academia Olguin (bairro Santa Mônica, Ipatinga). Em 1978, juntamente com professores-colaboradores do CDC – Centro de Difusão Cultural do CSFX (João Damasceno Ribeiro, supervisor do CDC; Jarbas Martins Rocha; Matozinho Luzia de Souza; Jonil Monteiro; Suzana Golveia); divulgou e apresentou ao vivo programas de balé da Academia Olguin, liberando Dona Zélia de uma de suas funções como “faz-tudo” dos espetáculos de dança, na ocasião. Em contrapartida, ela cedia a academia para eventos do Colégio São Francisco Xavier e ensaios do Grupo Teatral Quebra-Cabeça. “A Última Esperança”, espetáculo premiado em Belo Horizonte, foi escrito e dirigido por Eliane, com coreografias de Zélia Olguin. O elenco era formado por oito atores e todos os bailarinos da Academia Olguin.

Os 16 espetáculos lotaram o teatro da academia (1980). Era raro quem não se emocionasse até às lágrimas ao término das apresentações, diante das denúncias de massacre dos índios e da natureza. Eliane doou a sua parte na renda do espetáculo (40 mil cruzeiros, na época) para ajudar no pagamento do novo sistema de iluminação do palco da Academia Olguin, estimado em 120 mil cruzeiros. “Tribobó City” (1982 e 1983), musical infantojuvenil de Maria Clara Machado, foi outra parceria bem-sucedida entre Eliane (direção) e Zélia Olguin (coreografia). A principal apresentação do espetáculo foi na Casa de Cultura de Coronel Fabriciano durante o VII Festiminas. “A Vela” (1976), espetáculo com alunos da 8ª série do CSFX, foi apresentado na extinta Igreja Sagrado Coração de Jesus, anexa ao Colégio São Francisco Xavier, no bairro Cariru (hoje, Teatro Zélia Olguin). Lá, realizou-se também o “1º Recital de Poesia e Música Erudita”, envolvendo a comunidade de Ipatinga e promovendo músicos e poetas locais (organização do CDC - Centro de Difusão Cultural do CSFX). Neste mesmo “solo sagrado”, apresentei a primeira montagem oficial de teatro do Colégio São Francisco Xavier: “O Homem e a Máquina”, de João Damasceno Ribeiro, na qual eu desempenhava o papel da Máquina. A peça fazia parte do programa de comemoração da formatura dos alunos do 4º ano técnico em Metalurgia. O problema foi uma sensual apresentação de jazz que o Damasceno liberou, para fechar a programação. Padre Efrain ficou furioso e proibiu o uso da igreja para eventos culturais “profanos”. O “II Recital de Poesia e Música Clássica” foi realizado então no Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga, bairro Bom Retiro com o apoio da Academia de Letras de Ipatinga. Posteriormente, a organização dos recitais foi assumida pelo Clesi (Clube dos Escritores de Ipatinga), excluindo-se a ênfase à música erudita.

Eliane contou que a inauguração do Teatro Zélia Olguin, anos depois da construção da nova Igreja Católica do Cariru, foi um sonho realizado que lhe trouxe “uma grande dor e depois muitos sorrisos”. A dor foi por não ter sido convidada para a inauguração oficial (para espanto de Zélia Olguin). O primeiro sorriso veio da alegria de ter sido parte do primeiro elenco regional a se apresentar naquele palco – tão sagrado para mim quanto um altar. Estreou, “ao lado de grandes amigos e companheiros do Quebra-Cabeça e da Casa de Cultura do Vale do Aço (Antônio Guarnieri, Ailton Avelino e José Dutra)”, a peça de Juca Chaves: “Meno Male”, dirigida por Adão Faria. No elenco havia ainda as iniciantes, mas talentosas atrizes Lílian Araújo e Gyuliana Duarte. Foi uma supermontagem, com cenário de José Dias (UNI Rio) e iluminação de Ricardo Maia. A partir dessa época, 1986, o Teatro Zélia Olguin esteve sempre aberto para a exibição dos espetáculos que dirigi, propiciando-me a oportunidade de vários sorrisos.

Eliane fundou o Grupo Teatral Quebra-Cabeça em 1977, quando foi contratada pelo Colégio São Francisco Xavier. O nome do grupo surgiu em 1978, uma sugestão de Valdir Ferreira dos Santos, grande incentivador do trabalho de Eliane, que ajudava na montagem de cenários, divulgação, produção dos espetáculos e transporte de alguns atores do grupo. Valdir cuidava principalmente da filha, Cristiane Moraes Santos (nascida em 1980), para que Eliane pudesse ensaiar com os atores. Cristiane participou da penúltima montagem do Quebra-Cabeça, quando estava com oito anos, um dos maiores sucessos do grupo: De Cabral a Ribamar – “Como o Brasil deu no que deu”. A peça, escrita e dirigida por Eliane, recebeu o prêmio de “Melhor Texto” do IV Festi – Festival de Teatro de Ipatinga; foi selecionada para apresentação no “Festival de Inverno de Minas Gerais”, realizado no Palácio das Artes, Belo Horizonte, sendo escolhida para representar Minas Gerais no “Festival de Teatro do Rio de Janeiro”, em Campos (julho de 1989). O sucesso valeu um convite para novas apresentações no Rio: no dia 7 de setembro (em praça pública, Campos dos Goitacazes) e no dia 8 de setembro (no Convento de Angra dos Reis). Infelizmente, segundo Eliane, o grupo teve que recusar o convite para outras apresentações em todo o Estado do Rio de Janeiro, devido aos compromissos de trabalho e estudo do elenco e direção, em Ipatinga. Esta peça foi remontada em 2000, com elenco formado por professores e alunos do CSFX (Projeto Brasil – 500 anos): De Cabral a FH – “Como o Brasil deu no que deu”, novamente com sucesso. Foi apresentada no Teatro Zélia Olguin, no Centro Cultural Usiminas (Festival de Inverno), no Teatro Sete de Outubro e na Fadipa – Faculdade de Direito de Ipatinga. Os dois trabalhos – 1989 e 2000 – foram objetos da monografia final de Eliane no curso de Pós-Graduação em Interpretação Teatral da Universidade Federal de Uberlândia (Aplicação de Recursos de Estranhamento em Experimentos de Teatro Didático), alcançando a nota máxima. O Grupo Teatral Quebra-Cabeça conquistou o primeiro lugar em interpretação no Fesprove, de Pouso Alegre (1982), com a montagem do poema “Libertas Quae Sera Tamem”, de João Damasceno Ribeiro. O elenco foi composto pela diretora, Eliane Santos, e pelos atores, Ademar Coelho e José Lopes (que participaram do Quebra-Cabeça desde 1979, época da montagem de “A Última Esperança”). Deste pequeno espetáculo de treze minutos nasceu um espetáculo maior com o mesmo título, uma adaptação de Eliane, que incluiu poemas de outros autores locais (como o próprio Ademar Coelho), e músicas engajadas da MPB, representado por todos os atores do então Quebra-Cabeça. Libertas Quae Sera Tamen “maior” estreou na abertura do IV Universiarte, promovido pela antiga PUC de Cel. Fabriciano (1984), no local onde é atualmente o Teatro João Paulo II, do Unileste. O trio Ademar-Eliane-José fez sucesso também com a comédia de Renata Pallottini: “A História do Juiz”, que esteve várias vezes em cartaz, de 1982 a 1987, sendo exibida em Belo Horizonte e várias cidades mineiras. Em Ipatinga, foi apresentada na Academia Olguin, Teatro Cleyde Yáconis (onde é hoje a Faculdade de Educação Física, do Unileste, no Bom Retiro) e no Clube Industrial. Ademar representava o TAC (“Todas as coisas”), desempenhando cerca de dezesseis papéis, o que deve ter sido uma das inspirações para o bem-sucedido “Show Riso”, no qual contracena com Francismar Vasconcelos (outro ex-Quebra-Cabeça).

Os famosos do Quebra-Cabeça

JOSÉ DUTRA (funcionário aposentado da Usiminas) foi o primeiro ator do Quebra-Cabeça. Trabalhou com Eliane, de 1976 a 1986. “Pai de Flávio Nunes, um dos meus alunos-atores”. Atuaram juntos também no extinto teatro da Casa de Cultura de Cel. Fabriciano (década de 1980), em uma remontagem do “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, sob a direção de Walmir José; e em “O Berço do Herói”, de Dias Gomes, direção de Waldejur Lustosa.

FRANCISMAR VASCONCELOS trabalhou como assistente de direção e produção, desde 1979, época em que montaram “A Última Esperança”. Ele trouxe ADEMAR COELHO e JOSÉ LOPES, além de JOÃO MARINGÁ (ex-ator da ATAI, que participou de duas peças).

GUARNIERI participou como aluno da oficina de teatro e colaborou na sonoplastia de “Tribobó City”. Apesar da grande amizade com Eliane, afastou-se do grupo para fundar o “Boca de Cena” (juntamente com Adão Faria, Marilda Lyra e Francismar Vasconcelos, entre outros), porque queria trabalhar com atores adultos, sem as limitações de um grupo ligado a uma entidade educacional, incluindo menores de idade. Guarnieri prestigiava todos os trabalhos de Eliane (mesmo aqueles reservados ao público interno do CSFX) e atuou ao seu lado em ocasiões posteriores.

LUSIA DI RESENDE, diretora do “Perna de Palco”, iniciou sua trajetória de teatro em várias montagens do Quebra-Cabeça até mudar-se para Juiz de Fora, onde atuou no Grupo Divulgação da UFJF; prosseguiu em outros lugares (como São Paulo e Salvador) até retornar à terra de origem, onde desenvolve um trabalho de boa qualidade.

ROBERTO SILVA, contemporâneo de Lusia nos espetáculos “A Cabeça de Medusa” e “Tempo de Caviar” (texto de Augusto Tavares Resende), atuou no Grupo do Palácio das Artes, Belo Horizonte. Atualmente utiliza a experiência teatral nas palestras realizadas no Brasil e no exterior, e nas aulas ministradas nos cursos de pós-graduação em Direito da UFMG.

NANCY NOGUEIRA tornou-se uma expressiva atriz e, desde 2005, leciona Artes e Teatro no Colégio São Francisco Xavier. Participou de montagens do Quebra-Cabeça (ex: “LIibertas Quae Sera Tamen”, 1984) e de espetáculos posteriores dirigidos por Eliane: “Chamado” (1999); “De Cabral a FH – Como o Brasil deu no que deu” (2000); “Musical: 40 Anos do CSFX” (2002); “No Stress” (texto de Graça Vieira); “Vasto Mundo de Drummond” (2002 e 2003); “Musical: É Natal” (2004); acumulando por vezes a função de assistente de direção.

A exemplo de Roberto Silva, vários ex-atores do Quebra-Cabeça garantem que o teatro ajudou-os no desempenho pessoal e profissional, conforme comprovação de correspondências e relatórios entregues a Eliane. É o caso de Flávio Marcelo Corrêa engenheiro da Cenibra (Belo Oriente - MG); Mírian Tavares e Fabiano Guerra, professores de Química (Belo Horizonte - MG); Cássia Esteves (ex-professora de História do CSFX).

A Casa de Cultura do Vale do Aço

A Casa de Cultura do Vale do Aço foi um sonho do médico Carlos Vieira e reuniu valores regionais, entre eles Eliane Santos, uma das fundadoras do grupo de teatro da entidade, iniciado em 1978.

Vários espetáculos do grupo local e outros de fora marcaram presença no teatro da Casa de Cultura, cujo último grande evento foi o VII Festival da Federação de Teatro de MG. Infelizmente, o sonho “desabou” e o teatro da Casa de Cultura transformou-se no Hospital São Lucas, no bairro Santa Terezinha de Cel. Fabriciano. Todavia, a Casa de Cultura deixou frutos nos trabalhos daqueles pioneiros, entre os quais tenho a honra de me incluir. Agradeço muito ao Carlos, pois me abriu caminhos que eu não ousava pisar, possibilitando assim meu aperfeiçoamento estético no fazer teatral.

Manoelita Lustosa, Waldejur Lustosa, Ricardo Maia, Ailton Avelino, Fábio Brasileiro, João Néry, Christina Tárcia, José Nazareth e Afonso de Lana foram alguns dos atores da primeira oficina e do primeiro espetáculo da Casa de Cultura: “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, dirigidos por Walmir José. O grupo se reunia na Câmara Municipal de Coronel Fabriciano e na residência do Carlos Vieira.

A peça estreou em 1978, no Salão Paroquial da Igreja Católica de Coronel Fabriciano; e depois, na Academia Olguin (Ipatinga) e Elite Clube (Timóteo).
Na inauguração do teatro, que Carlos construiu no bairro Santa Terezinha, apresentamos a comédia de Paulo Pontes “Um Edifício Chamado 200”, na qual atuei ao lado de Walmir José, o diretor, e Teresa (substituída depois pela Maria Síman). Antes de nossa temporada, a Casa teve a honra de exibir “Maria, Maria”, espetáculo do Grupo Corpo, de Belo Horizonte.

Política Cultural

Fetemig – Federação de Teatro de Minas Gerais

Como representante da Casa de Cultura do Vale do Aço, Eliane iniciou-se na Fetemig em 1978, durante o Festiminas – Festival de Teatro de Minas Gerais, promovido em Uberaba, MG. Na década de 1980, filiou-se à Federação e incentivou a adesão dos grupos teatrais da região. Isso nos proporcionou oportunidades de aperfeiçoamento técnico e maior conscientização do fazer teatral, através da participação em oficinas, mostras de espetáculos e debates (realizados nos festivais, encontros de diretores e representantes de grupos, e congressos da Fetemig e Confenata– Confederação Nacional de Teatro Amador).

Eliane Santos foi secretária-geral da Fetemig e membro do Conselho Fiscal da entidade. Participou de dois congressos e alguns encontros da Confenata, como representante legal de Minas Gerais.

Como surgiu a ASTI – Associação Teatral de Ipatinga

Em 1984, Eliane promoveu, com o apoio de Christina Tárcia, coordenadora de Cultura da Prefeitura Municipal de Ipatinga, e dos grupos de teatro da região do Vale do Aço, o XVIII Encontro de Diretores e Representantes de Grupos da Fetemig, em Ipatinga.
Em uma reunião de preparação do evento, conversou com Edilson Maestri (Grupo Boca de Cena) sobre a necessidade de fortalecimento do movimento teatral da cidade através de uma associação.

Ele gostou da ideia e decidimos como forma de incentivo, montar um pequeno espetáculo com atores de todos os grupos locais, para a abertura do encontro mineiro: “TV Ilusão”, um texto antigo meu, que dirigi então.

.Posteriormente, em reunião realizada na residência de José Lopes e sua irmã, Paiva, foi fundada a ASTI. Seu estatuto, semelhante ao do Grupo Teatral Quebra-Cabeça, foi registrado em cartório. José Lopes foi o primeiro presidente eleito. “Após um período de intensa atividade, a ASTI ‘adormeceu em berço esplêndido’...!”

APROC - Associação Pró-Cultura e “Alegria do Povo”

Nesta mesma época (1983), fundamos a APROC, uma iniciativa de Walter Brinck (engenheiro da Usiminas), que agregou diversos grupos e associações culturais, fortalecendo o diálogo com o poder público e orientando os grupos iniciantes para seu registro oficial, formas de captação de recursos, como elaborar projetos etc.

A ASTI, Academia Olguin, escolas de samba, artistas e pessoas envolvidas com as mais diversas práticas culturais participaram inicialmente do processo. Dentre os pioneiros, destacaram-se Nilo Diogo (vice-presidente da entidade, também engenheiro da Usiminas); André Tenuta, que futuramente seria presidente da entidade; Lúcia Castro Alves (a primeira secretária); Christina Tárcia (coordenadora de cultura da PMI na ocasião).

Eliane foi secretária da “Escola de Samba Alegria do Povo”, criada nesta época, especialmente para o Carnaval Ano XX de Ipatinga (1984). A escola foi vencedora também no ano seguinte (1985), quando foi diretora cultural da entidade e elaborou o enredo sobre Minas Gerais, executado pelo carnavalesco Walter Lúcio.

Fizemos dois brilhantes desfiles nesses dois anos, com o apoio da APROC e da Prefeitura Municipal de Ipatinga. Porém, a escola morreu no ano seguinte, por falta de verba. Não havia criado tradição a ponto de seus componentes assumirem a sua manutenção. Todos só queriam “brincar”, sem muito trabalho e gastos. Apenas os membros da diretoria e alguns outros integrantes haviam se apaixonado pelo projeto.

Impraticável prosseguir, a não ser que nos transformássemos em um cordão carnavalesco, fugindo do padrão “Rio de Janeiro”.

Trabalho voluntário na comunidade

Além da coordenação de um grupo de minijovens da Igreja Católica do Cariru, Eliane dirigiu, por dois anos (década de 1990), a encenação da Paixão e Morte de Cristo, no Cariru, envolvendo as comunidades dos bairros Cariru, Vila Ipanema, Bela Vista e Castelo, a convite do padre Efrain.
Preparou o espetáculo de abertura da Campanha da Fraternidade (2004) e ministrou oficina de teatro gratuita para professores da Rede Municipal de Ensino em 2003.

O CDC – Centro de Difusão Cultural do CSFX

Como membro do CDC – Centro de Difusão Cultural do CSFX, colaborava na organização de eventos sociais e culturais, dentro e fora do colégio. Um dos primeiros foi a Homenagem da Área Cultural à Usiminas, por ocasião de seu aniversário, evento que depois foi assumido pela APROC.
Os Recitais de Poesia e Música Erudita, os Festemix – Festivais de Teatro Mirim do CSFX, os Fescaps – Festival Estudantil de Música do Colégio São Francisco Xavier, e o próprio trabalho desenvolvido no Grupo Teatral Quebra-Cabeça era um “trabalho de doação”, pois seria impossível realizar tantas atividades “com qualidade” dentro do horário de trabalho contratado.

O CDC do CSFX organizou também shows com artistas famosos (José Ramalho, Banda de Pau & Corda, Gonzaguinha, Marco Antônio Araújo, João Bosco). Os Fescaps reuniram os melhores músicos da região, em parceria com alunos do CSFX. Exemplo: Wanderson Nazareth, Sóstenes, Fábio Monteiro, Isa Gravina e Grupo Cacaia, Íria Tavares e Miriam Tavares. Revelou Washington Feitosa, ex-aluno do São Francisco, como produtor cultural.

Fui apresentadora desses festivais, ao lado de Ademar Coelho, Cláudio Salvador, Jarbas Martins Rocha, entre outros.

Oficinas gratuitas de teatro

As oficinas de teatro do CSFX tinham sempre vagas destinadas a pessoas da comunidade, sem qualquer ônus para elas.

Muitas vezes, eu tinha que distribuir passes de ônibus, pagar lanches para atores carentes, ou levá-los para minha casa, que fica perto do Colégio São Francisco.

Mutirões de trabalho

Lá em casa, às vezes havia vinte ou mais pessoas, nos mutirões para confecção de figurinos (para baratear o custo da produção) ou mesmo para ensaiar. Darci Mônico, Walter Lúcio e Moá (cabeleireiro e excelente costureiro) foram alguns dos que contratamos para tal finalidade. O grupo ajudava nos acabamentos das roupas e cenários.
Na época da greve dos professores do CSFX (29 dias, 1989) preparamos a base do espetáculo “De Cabral a Ribamar - Como o Brasil deu no que deu” em minha casa.

Competência e honestidade

Competência e honestidade são os dois valores que aprendi com meu pai e que nortearam o meu desempenho profissional. Estou sempre perseguindo a excelência, mas tenho consciência dos meus limites e que é preciso sempre estudar, observar, analisar e jamais acomodar-se com as conquistas. Uma dose de humildade é um ingrediente que não pode faltar, pois o saber é uma escada sem fim.

É isso que procuro ensinar à minha filha e alunos através desta importante ferramenta de trabalho: a Arte-Educação. Amo o que faço e quero morrer fazendo teatro, contando histórias.

*Síntese do trabalho do ator
(Eliane Santos)

Beber de todas as fontes.
Trabalhar com disciplina e deixar fluir a imaginação.
Despojar-se humildemente do seu “eu” para abrir-se às possibilidades.
Estudar e conhecer cada vez mais seu corpo e o corpo do outro.
Comungar com os companheiros de trabalho. Permitir-se.
Desconstruir-se. Usar a vontade consciente, sem preocupar-se com a emoção e com o “belo”.
Depois lapidar a construção e deixar fluir emoções e imaginação:
E, de novo, o autocontrole para irradiar energia e contaminar o espectador...
“Vasto Mundo de Drummond” (texto e direção de Eliane Santos).
As sete faces do poeta, representadas por Nancy, Fabiano, Christiano, Alan, Laura, Adebil e Ademir. Foto 1538 (2)


FONTE: Biografias de pioneiros e personagens da história de Ipatinga , veja a Coletãnea de José Augusto Moraes - "IPATINGA - "Cidade Jardim". Livraria Mendanha (Bom Retiro - 3823-4277) e na "Art Publish" (Veneza II - 3822- 6019).


 

Copyright © 2012 Todos os Direitos Reservado - www.euamoipatinga.com.br
Eu Amo Ipatinga - E-mall : contato@euamoipatinga.com.br