Ipatinga, 23 de Julho de 2014
Linha do Tempo

26 DE JUNHO DE 1960

Casaram-se, os pioneiros de Ipatinga, WALTER DE LIMA SALLES e ZILDA CHUAB SALLES

ZILDA CHUAB SALLES e WALTER DE LIMA SALLES
Casaram-se, os pioneiros de Ipatinga, WALTER DE LIMA SALLES e ZILDA CHUAB SALLES. Walter Salles nasceu em Tarumirim - MG, filho de Ismail De salles Silva e Efigênia de Lima Salles. Zilda Salles nasceu em Manhumirim - MG, filha de José Otávio Chuab e Dolôres Christina Chuab. O casal tem três filhos: Zilva Chuab Salles, Wallace Chuab Salles e Wagner Chuab Salles.

Walter decidiu vir para Ipatinga em 1959, após ler em um jornal do Rio de Janeiro a notícia da instalação da maior siderúrgica da América Latina neste local – a Usiminas. Ele, que trabalhava na cidade natal como representante comercial de uma loja de armarinhos e aviamentos, comunicou ao patrão que iria embora no dia seguinte. E veio mesmo. Chegou aqui com a cara e a coragem. E aqui permanece após ter completado um pouco mais de 70 anos de vida. “Um formigueiro humano. Gente, carroça e uma poeira terrível”. É dessa forma que Walter Salles define sua primeira impressão quando chegou a Ipatinga, que ainda não era considerada cidade. Quando vi tanta gente, pensei logo em abrir um negócio. Sem ter a menor noção do que iria vender, aluguei um ponto comercial no Centro. Adiantado, paguei dois meses de aluguel. Só para não perder o ponto.

Ao visitar a família, que morava em Governador Valadares, retornou munido de alguns produtos: cinco máquinas de costuras, cinco bicicletas e cinco rádios. Colocou tudo dentro do ponto que tinha alugado e escreveu uma faixa: “Casa das Máquinas – a Pioneira”. Cheio de orgulho, acrescenta que as mercadorias foram vendidas em uma semana. “Tive que ir buscar mais”. A loja (localizada onde é hoje a Tenda Têxtil) prosperava, mas foi vendida em 1965. O principal motivo foi ter vencido a concorrência para instalação de um terminal rodoviário em Ipatinga. Segundo Walter, “quase ninguém teve interesse pela proposta”. O vencedor teria de se responsabilizar pelo terreno e toda estrutura, uma vez que a Prefeitura concederia somente o direito de explorar os serviços na cidade. A rodoviária funcionou inicialmente na Rua Belo Horizonte. Com a prosperidade vivida pela cidade, o fluxo de pessoas também aumentou e houve a necessidade de ampliar o estabelecimento. A população era carente de transporte. Tinha o ferroviário, mas as opções de horários eram muito poucas. Foi então que vendi o ponto anterior e adquiri uma área na Avenida João Valentim Pascoal, onde ainda funciona a Rodoviária de Ipatinga. No início, eram apenas três ou quatro linhas. Hoje, a rodoviária “vende passagens para o Brasil inteiro”. Segundo Walter Salles, “o comerciante que atua conforme a legalidade não encontra dificuldades”.

A única forma de comunicação via telefone em Ipatinga era no posto telefônico da Usiminas, localizado no local onde é hoje a sede dos Correios do bairro Horto. Foi formada então uma comissão provisória para implantar a Companhia Telefônica de Ipatinga e colocar telefones no Centro da cidade. O presidente da comissão era Jair Gonçalves, um homem considerado por Walter “uma espécie de manto que cobria todos nós não só pela moral, mas também pela maneira carinhosa que ele tinha com Ipatinga e a sensibilidade com que conduzia a coisa”. José Carvalho era o tesoureiro e Walter Salles superintendente. Fundada a Companhia Telefônica de Ipatinga, ninguém tinha remuneração e nem despesas pagas para ir a Belo Horizonte correr atrás das companhias telefônicas. Procuramos três companhias em Belo Horizonte. As três concessionárias vieram a Ipatinga, fizeram levantamentos e enviaram propostas. Ganhou a Ericsson do Brasil. Conforme contrato com a Ericsson, tínhamos que vender no mínimo 125 linhas, para que fosse viável a implantação. Passamos então a vender as linhas. Conseguimos vender cento e vinte, faltavam cinco e não tinha mais ninguém na cidade que queria comprar. O pessoal da empresa começou a nos pressionar. Diante disso, fiz uma divisão entre os três componentes da diretoria: Jair Gonçalves, que era o mais rico, ficaria com mais duas; o Zé Carvalho também com duas; e eu, que era o mais pobre, fiquei com mais uma. Assim, completamos a cota mínima exigida pela empresa. Faltava então um lugar para instalar a central. Eu sabia que o terreno onde fica hoje a Telemig, na Rua Belo Horizonte, era do município. Propus ao Jair Gonçalves e ao Zé Carvalho que nós invadíssemos o terreno e construíssemos ali a central. O Jair Gonçalves a princípio ficou receoso, e me disse: “Isso é com você”.

E assim, segundo Walter, a sede da Companhia Telefônica de Ipatinga foi construída no terreno invadido na Rua Belo Horizonte. A comissão foi para Belo Horizonte e fechou o negócio com a Ericsson, que instalou os telefones no Centro da cidade. Na época, os telefones tinham três números. “O meu telefone era 123, o mesmo número da placa do meu carro e da minha casa”.

No início da década de 1960, a precária luz de Ipatinga dependia de um gerador de propriedade de Raimundo Anício, que ficava instalado atrás do Bar Candango, onde é hoje a Sapataria Osley. Um funcionário da Cemig informou a Walter Salles que a cidade iria perder a oportunidade de instalação da empresa em Ipatinga, por falta de um local para sua sede. A próxima oportunidade poderia demorar. Disse a ele que arrumaria um lugar. Dentro de minha loja tinha três pilastras no meio. Dividi o local, fechei com madeira e chamei o diretor da Cemig para avaliar. Ele gostou muito e me perguntou qual seria o valor do aluguel. Disse a ele que não tinha ideia, porque, a princípio, não tinha intenção de alugar o imóvel. Deixei então para que eles definissem o valor do aluguel. Fizeram-me uma proposta e eu aceitei. Logo que foi instalado o escritório, a Cemig começou a colocação dos postes “e foi aí que o Centro de Ipatinga começou a contar com a energia elétrica”. Foi em 1971 que Walter Salles assumiu a presidência da Associação Comercial de Ipatinga – Aciapi. Ele explica que, em sua gestão, os esforços se concentraram em “colocar coisas nos seus devidos lugares”. Walter, que participou desde as primeiras reuniões para a criação da entidade, afirma que Ipatinga tem plena consciência da atuação da instituição. Um comerciante que vai bem nos negócios pode oferecer melhores condições a seus funcionários. É como uma engrenagem, um efeito multiplicador. Com uma entidade forte, toda comunidade ganha. Eu me sinto muito feliz ao ver quanto a Aciapi cresceu e ainda tem tanta disposição. É satisfatório saber que dei minha modesta contribuição para a entidade.

Fui convidado para apitar um jogo entre um time de Ipatinga e um time de Santana do Paraíso, lá no campo deles. No decorrer da partida, houve um pênalti cometido por um jogador de Santana do Paraíso, e eu apitei. Os jogadores do Paraíso saíram do campo e se encostaram em um canto e a torcida começou a invadir o campo. Eu estava com o revólver na cinta. Abri a camisa, tirei o revólver, tirei o blusão e coloquei no chão e, em cima dele coloquei o revólver de modo que todo mundo visse que eu estava armado. Quando a turma viu o revólver, voltou para trás. Alguém buscou o time e o jogo continuou, após ter batido o pênalti. Walter Salles também tem orgulho de dizer que foi um dos integrantes da comissão que liderou o movimento emancipacionista de Ipatinga, em 1964. É um amante declarado de Ipatinga: Costumo dizer que a gente não escolhe o lugar para nascer, mas para morar sim. E eu escolhi Ipatinga. Amo esta cidade. Meus cinco filhos nasceram aqui. Foi aqui que fiz muitas amizades.


Fonte: FONTE e mais detalhes sobre a história, causos e pioneiros de Ipatinga, veja a Coletãnea de José Augusto Moraes - "IPATINGA - "Cidade Jardim". 9428-9505




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