Ipatinga, 11 de Agosto de 2022
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Talento exportado para a China

No outro lado do mundo, ginasta de Ipatinga é destaque em companhia circense


Glauber Souza está desde os quatro anos na ginástica olímpica e hoje, ao lado da esposa, consolida carreira na China

A ginástica artística chinesa tem, entre seus atletas, um talento formado no Vale do Aço. Nascido em Ipatinga, Glauber Rodrigo Souza, 26 anos, é destaque na companhia circense Oct East, atualmente sediada em Guangzhou, no sul da China. Desde os quatro anos no esporte, Glauber tem muito a contar. “Tudo o que consegui foi por dedicação. Cheguei aqui pelo apoio que tive e pelo que construí”, resume o ginasta, acrobata, capoeirista, dançarino e até jogador de futebol.

Após dificuldades de contato com o “multiatleta”, devido a uma agenda de treinos intensos e ao fuso horário que distancia o Brasil do país mais populoso do mundo, Glauber já avisa do outro lado do Skype (aplicação de chamadas de voz e vídeo pela internet): “Não sou muito bom para falar de mim. Para falar a verdade, nem eu sei muito bem da minha história”, diz, com humor.

Com relatos contados com carisma e o filho de quatro anos pulando próximo ao computador, o ipatinguense lembra que começou na ginástica olímpica por ser hiperativo. “Minha mãe me colocou nesse esporte para que eu gastasse energia durante o dia e, quando chegasse à noite em casa, conseguisse dormir e desse sossego”, brinca.

Ainda na infância, Glauber começou a frequentar aulas no Centro Esportivo e Cultural 7 de Outubro, no bairro Veneza, em Ipatinga. Pouco tempo depois, migrou para uma academia no bairro Iguaçu, onde participou de sua primeira competição no campo, realizada à época em Viçosa, município da Zona da Mata mineira. Glauber trouxe para casa uma medalha de prata.

A partir daí, passou pela Escola Municipal Padre Cícero e pelo Instituto Católico de Minas Gerais (ICMG), hoje Centro Universitário do Leste de Minas (Unileste), instituição onde treinou até a adolescência. “Mas parei com 12 anos para fazer outras coisas. Entrei numa banda sinfônica (risos). Depois, com 15 anos, voltei para a ginástica, também no Unileste. Em 2004, inclusive, fui o primeiro medalhista individual pela instituição em uma competição nacional”, lembra.

O esforço e a dedicação do ginasta o levaram a atingir a classificação de atleta de alta performance e o Vale do Aço já havia se tornado pequeno para o seu talento. Foi aí que o jovem foi parar no Minas Tênis Clube, agremiação desportiva de destaque internacional sediada em Belo Horizonte. “E era onde eu precisava decidir de fato se era isto o que eu queria para minha vida. Nessa área, todo mundo sabe a dedicação que é necessária”, cita.

A certeza da vocação na ginástica foi confirmada e, por meio do clube, Glauber foi convidado a integrar a Seleção Brasileira de Ginástica de Trampolim, em 2005. Na oportunidade, o acrobata representou a bandeira verde e amarela em um campeonato mundial na Holanda. O posto de segundo colocado levou seu nome.

. Circo

No país onde os esportes individuais são pouco incentivados e, conforme Glauber, “se você não é um jogador de futebol, é tudo muito difícil”, o jeito era se garantir como podia. “Comecei a mandar vídeos de apresentações minhas para companhias grandes como o Cirque du Soleil e Circo Dragoni”, recorda. Sem muito sucesso nas tentativas, o atleta, contudo, foi para a Turquia em 2008, como capoeirista.

Após voltar para o Brasil, onde se casou com Cintia Silva, teve o filho Glauber Rodrigo Souza Filho, e ingressou na ginástica artística em circos, Glauber recebeu finalmente uma proposta para ir à China – país onde firmou contrato há dois anos e trabalha atualmente. “Minha esposa e meu filho vieram comigo. Ela fazia atletismo na Usipa e hoje se apresenta na mesma companhia fazendo lira acrobática (arco aéreo)”, narra o ginasta, com satisfação.

Adaptar-se à cultura chinesa e, principalmente à língua oriental, foi difícil, mas o inglês básico o ajudou. “Quando chegamos aqui, eu e minha esposa éramos os únicos brasileiros junto a mais de 30 russos, no lugar onde ficávamos”. Com o filho, por outro lado, tem sido diferente. “Ele está na escola e fala três idiomas com fluência. Para uma criança é mais fácil. Ele até fala também um pouco de russo”, descreve.

A esposa de Glauber e o filho virão ao Brasil para as festas de fim de ano. O ginasta, porém, não poderá acompanhá-los, mas tem planos para retornar ao Vale do Aço em meados de julho de 2013. “Aqui não se ganha muito dinheiro, mas a qualidade de vida que posso dar a minha família é bem satisfatória. Na China temos de tudo. Quero ir de vez para o Brasil quando tiver a oportunidade de tocar algo aí ligado ao esporte e à ginástica. Mas trabalho nessa questão junto com um amigo do Vale do Aço”, revelou.

. Família

Para os pais de Glauber, o maior problema é a saudade. Moradores do bairro Ideal, em Ipatinga, Maria Aparecida Souza e José Célio contam que sentem falta das brincadeiras e do bom humor do filho caçula. “Tudo sempre está muito bom para ele. Não há tempo ruim”, lembra a mãe. “A saudade é grande. Meus filhos acima de tudo são meus melhores amigos”, diz o pai de três filhos, por sua vez, engolindo seco e tentando conter a emoção.

A esteticista e terapeuta e o aposentado lembram os desafios e as dificuldades superadas para que o filho se tornasse um atleta de alta performance. “Ainda no Brasil, ele passou por clubes que só tinham ‘filhinhos de papai’. Era apertado o orçamento do mês. Em um determinado momento, não tínhamos mais condições de mandar dinheiro, mas ele fazia bicos para ajudar”, relembra “Célio”, como é mais conhecido.

Para a mãe, apesar das dificuldades, “é um orgulho que não dá para descrever”. Embora os pais estejam distantes do filho há três anos, um contato é ritualmente feito pelo menos duas vezes ao dia por meio do Skype. “Nossa, se a ‘dona Maria’ aqui não falar com ele nesse ritmo, ela dá um troço”, brinca Célio, às gargalhadas.

Fonte: http://www.diariodoaco.com.br/noticias.aspx?cd=68664




 

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