Ipatinga, 8 de Julho de 2020
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- Em visita a Ipatinga, a bailarina mexicana Anadel Lynton, promove dois dias de curso gratuito para a comunidade


Anadel Lynton afirma que o problema de comunicação da arte contemporânea é mundial

Aos 74 anos de idade, com disposição de fazer inveja e um ótimo humor, a bailarina e professora de dança contemporânea, Anadel Lynton, nascida nos Estados Unidos e naturalizada mexicana, exerce a profissão até hoje. Além de conceber e atuar em espetáculos, ela divide seu conhecimento por onde passa. Após trabalho em São Paulo, Anadel Lynton desembarcou em Ipatinga para um rápido workshop gratuito.

Nesta quinta e sexta-feira, de 14h as 18h, ela ministra aulas no espaço do Grupo Hibridus, localizado no Centro de Ipatinga. No último dia de oficina, ela fará um bate-papo com o público no mesmo local, após as 18h. No sábado (2), como encerramento dos trabalhos, os alunos fazem junto com a professora uma performance na avenida 28 de Abril, no Centro. Em caso de chuva, a apresentação será realizada na sede do grupo. O curso é aberto à comunidade e as inscrições podem ser feitas pelo telefone: 3821-3513.

. Troca

Anadel Lynton reside na Cidade do México e integra o Centro de Investigação, Documentação e Informação da Dança José Limón, ligado ao Instituto Nacional de Belas Artes. Essa é a segunda vez que a artista vem a Ipatinga. Em 2006, ela participou de um evento de dança com apresentação de três trabalhos.

Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, na tarde de ontem, a especialista em dança afirma que na oficina vai trabalhar formas criativas de expressão. “Como teremos só dois dias não vamos nos apegar às técnicas. E sim trabalhar mais a criatividade e a sensação da dança para que os participantes possam senti-la para depois expressarem-se por meio de movimentos corporais”, explicou a artista.

. Comunicação

Falando em expressão, Anadel Lynton, enfatiza a necessidade geral de artistas contemporâneos buscarem uma forma mais aberta de comunicar sua arte com o público. “É preciso pensar cada vez mais na relação entre emissor e receptor. Quem recebe a arte também participa do processo e isso precisa ser levado em conta”, argumentou a artista.

Ela destaca que esse não é só um problema do Brasil e nem das artes. “A nova economia leva à hierarquização das coisas. Desta forma, o artista está acima da plateia que deve apenas aplaudir. Assim é na área da ciência também, um cientista tenta convencer o outro da sua tese. Esse conceito das coisas de cima para baixo é errado e não funciona na atualidade”, afirmou Anadel Lynton.

Ainda de acordo com a artista, o avanço da internet tornou as relações e a comunicação muito virtuais e, por outro lado, mais interativas. “A internet trouxe relações mais frias em relação à proximidade, coisa que a arte pode resgatar. Mas a arte precisa olhar para a interatividade instantânea da internet para se comunicar melhor com o seu público”, analisou Anadel Lynton.

. Mundial

Aos 18 anos de idade, Anadel Lynton saiu dos Estados Unidos à procura de uma dança mais humanizada, que garante ter encontrado no México. Lá ela se naturalizou e vive até hoje. “Toda aquela competitividade agressiva na área da dança nos Estados Unidos não servia pra mim. No México me realizei como profissional”, contou.

Em seu país, segundo Anadel Lynton, a dança contemporânea vive um bom momento, apesar de atravessar os mesmos problemas com comunicação apontados anteriormente. “Hoje, muitas universidades no México possuem Licenciatura em Dança. O país produz muitos bailarinos, só faltam mais coreógrafos para trabalhar melhor esses talentos”, informou. Perguntada sobre o segredo para continuar dançando aos 74 anos, ela responde: “Não há segredo. Basta dançar”.

Repórter : Polliane Torres

Fonte: http://www.diariodoaco.com.br/noticias.aspx?cd=69628

Foto: Polliane Torres




 

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