Ipatinga, 7 de Julho de 2020
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Aprendizados da vida diante da dor

- Cemitério Senhora da Paz completa 40 anos e funcionários relatam o que aprenderam nos velórios e sepultamentos


O lugar guarda personagens saudosos, famosos e anônimos, que são parte da história de Ipatinga

Os cemitérios são testemunhas da história das cidades em que estão localizados. Para algumas pessoas, o ambiente gera fascínio. Para outras, temor. Mas o fato é que histórias de vida estão por trás da construção e funcionamento do lugar que é definido como "a última morada". Com aproximadamente 38 mil saudosos personagens sepultados, em Ipatinga, o Cemitério Municipal Parque Senhora da Paz, localizado no bairro Veneza II, acaba de completar 40 anos em 2013 e seus funcionários, embora diante do desafio de lidar com a tristeza de quem perde seus entes queridos, afirmam gostar do trabalho que fazem.

Com 65 anos, o auxiliar de necropsia do Instituto Médico-Legal (IML), Francisco Abelardo Moreira é também o funcionário mais antigo do cemitério. Ele, que há 36 anos examina a causa e o modo como morreram as vítimas levadas para o IML, lembra com exatidão o dia que começou a trabalhar na necrópole: 1º de abril de 1976. "Quando vim para cá faziam poucos anos que o cemitério estava funcionando. Fiquei na necropsia por bom senso. Iria trabalhar no cemitério mas não exercendo essa função. Não era o que queria, mas aprendendo, eu tomei gosto pelo trabalho", relembra.

Francisco aprendeu o serviço com a prática e com os ensinamentos dos médicos legistas que passaram por lá. Já pleiteando a aposentadoria, ele diz que será difícil encontrar um novo funcionário para substituí-lo. "Penso em treinar alguém para me substituir e, toda semana, vêm aqui dois ou três, mas ninguém quer ficar. Olham o serviço e não voltam mais", conta.

Apesar do ofício que assusta e afasta profissionais, e ter que trabalhar sem um horário definido atendendo às urgências, o servidor avalia a atividade como "compensatória". "O trabalho de ajudar a quem precisa de socorro é muito compensatório na vida da gente. São pessoas que têm seus parentes aqui e que precisam ser liberados para o velório. Meu horário é de oito da manhã às seis da tarde, mas há dias que vou até às dez da noite ou mais atendendo socorros, para que as famílias possam velar os seus entes".

. Aprendizado

Já o auxiliar de serviços João José dos Santos, 50 anos, bate o ponto no Senhora da Paz há 18 anos. O funcionário, que também já exerceu a função de coveiro, diz ter alcançado um grande aprendizado ao longo dos anos que trabalha ali. "Quando eu comecei fiquei preocupado, porque era uma responsabilidade muito grande lidar com pessoas em dificuldades, abaladas. Lembro que tive medo de, no primeiro dia, pegar na alça do caixão e o gancho não aguentar o peso do corpo. Mas os colegas motivaram e a coragem veio", narra, com simplicidade.

José lembra das boas amizades e dos bons chefes que teve, mas que hoje são lápides no cemitério. "Aprendi muita coisa boa. Eu gosto daqui por ser tranquilo e aprendi a lidar com as pessoas e dar uma força para que elas possam ter fé e confiança para superar o falecimento".

. Cemitério guarda personagens que marcaram a história do município

Atualmente com 17 funcionários efetivos, além dos prestadores de serviço, o Parque Senhora da Paz foi inaugurado em 20 de janeiro de 1973, pelo então prefeito Darcy de Souza Lima, também enterrado no local. Há 27 anos funcionário do cemitério, o gerente Crispim Elias, 46 anos, conta que o primeiro ipatinguense sepultado no local foi o filho de Darcy de Souza Lima, falecido em um acidente de automóvel no mesmo ano de inauguração do cemitério.

“Além dos ipatinguenses que fizeram história na cidade, temos no principal cemitério de Ipatinga muitas pessoas que sempre tiveram carinho pela cidade e a região, e que desejaram ser enterradas aqui. Um exemplo é o japonês Tikufu Ota, falecido em 1992, fundador do Centro Cultural Tikufukai”, lembra Crispim.

O espaço abriga uma área especial denominada “Monumento”, onde estão os jazigos de ex-prefeitos, ex-vereadores, autoridades e pessoas agraciadas com o título de Cidadão Honorário. Das 32 pessoas enterradas no espaço, é possível enumerar o ex-prefeito João Lamego Neto, falecido em abril de 2011; os ex-vereadores Edgar Boy Rossi; Deusemim Januário; Geraldo Borges da Rocha e Samuel Lopes; o ex-jogador do Atlético Mineiro e Seleção Brasileira, Edvaldo Martins da Fonseca; o empresário e pioneiro Vito Gaggiato; a dançarina Zélia Olguin, dentre várias personalidades importantes na história de Ipatinga.

A necrópole, sob responsabilidade administrativa da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma), funciona diariamente das 7h às 17h para os serviços de sepultamento e, em horário integral, para atendimento dos velórios.

Repórter : Wesley Rodrigues (Estagiário)

Foto: Wesley Rodrigues

Fonte: http://www.diariodoaco.com.br/noticias.aspx?cd=69893


 

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