Ipatinga, 17 de Agosto de 2022
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Volta ao Brasil de bicicleta

“Ciclista apaixonado” que percorre o país em busca de bandeiras para cobrir o gramado do Maracanã de passagem por Ipatinga


Carlos Henrique leva na bagagem a bandeira de Ipatinga

A bicicleta que antes era apenas um veículo de locomoção rápida para o trabalho levou o pedreiro Carlos Henrique Ribeiro, 49 anos, muito mais longe. Morador da cidade de Santa Lúcia, no interior de São Paulo, ele já percorreu todos os estados brasileiros de bicicleta. O ciclista conseguiu o recorde de percorrer 38 mil quilômetros pelo território nacional em dez meses.

Ontem, de passagem por Ipatinga, Carlos Henrique Ribeiro “ganhou” uma bandeira do município que estará em seu megaprojeto: preencher o gramado do estádio Maracanã com 4.300 bandeiras de municípios e capitais que ele visitou.

Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO na tarde de ontem, Carlos Henrique Ribeiro falou sobre sua corajosa trajetória. História essa que também é contada em palestras que ele ministra, principalmente, em escolas. Ao lado de seu veículo decorado com bandeiras do Brasil, Carlos Henrique contou que já tem mais de 1.500 bandeiras para o projeto de forrar a grama do Maracanã. Ele pretende concluir o desafio na Copa de 2014, mas teme não ser possível essa realização em função da burocracia. “Meu sonho é concretizar esse projeto na Copa do Mundo. Mas em alguns municípios é difícil pegar a bandeira, por causa da burocracia”, salienta.

Vindo de São Paulo, Carlos Henrique percorre Minas Gerais durante um mês. De Ipatinga, ele segue para Governador Valadares e seu próximo Estado de destino é a Bahia. “Fico em Minas até 12 de junho. Uma das características dessa região são as curvas perigosas e morros, mas é muito bom de andar”, comentou.

Início

Carlos Henrique viaja o Brasil há dez anos e relata como surgiu a ideia de viver sobre duas rodas. “Eu trabalhava de pedreiro, era analfabeto. Então, decidi pegar a bicicleta e sair pelo Brasil, só com a roupa do corpo mesmo. Foram dois anos dormindo em beira de rodovias, passando fome, sendo humilhado, criticado”, declarou.

Como não tinha apoio, ninguém o recebia. “Eu procurava um posto de gasolina para dormir. Na época de frio forrava o chão com papelão e me cobria com jornal. Sofri muito. Emagreci, fiquei doente, isso a gente jamais esquece. Mas a dificuldade não me fez desistir”, recorda.

Dois anos depois de pedalar sem apoio, conseguiu patrocínio da escola de idiomas Wizard. Agora, ele consegue ter estrutura para as pausas das viagens.

. Rotina

Carlos Henrique diz que nem gostava muito de bicicleta. Usava o veículo por falta de opção. “Antes andava de bicicleta só na cidade, quando trabalhava de pedreiro. Mas depois isso virou paixão e ganhei o apelido de ‘ciclista apaixonado’. Hoje a bicicleta é minha ferramenta de trabalho. Sempre falo nas palestras, independentemente da idade, jamais desista dos sonhos. Conquistei vários sonhos e hoje continuo a viajar pelo Brasil”, pontua.

A rotina do ciclista é dividida da seguinte forma: 40 dias na estrada e 15 em casa. Na bicicleta ele carrega um baú recheado de matérias sobre suas viagens e alguns itens essenciais. Ao todo, Carlos Henrique pedala levando 40 quilos em uma bicicleta modesta, seu sexto veículo em dez anos. “Ela é feita em alumínio, tem marchas adaptadas e rodas com rolamentos. É simples, mas é com ela que viajo pelo Brasil e sustento minha família. Sempre digo que não é preciso ter uma bicicleta cara para ir longe”, frisou.

. Perigos

O ciclista afirma que já foi do Oiapoque ao Chuí três vezes. Seu aniversário, no dia 23 de abril, dia de São Jorge, explica a sua coragem, conforme o viajante. “Só sendo guerreiro para enfrentar essas rodovias de bicicleta”, justificou. Questionado sobre os perigos enfrentados nas estradas Brasil, Carlos Henrique conta que já sofreu dois acidentes sem gravidade e passou por vários “apertos”. “Em algumas rodovias eu passo muito aperto, principalmente com os vácuos que quase me derrubam. A falta de acostamento e os buracos nas rodovias atrapalham muito também”, exemplificou.

Por conhecer muitas rodovias federais, estaduais e estradas vicinais, Carlos Henrique Ribeiro destaca que a situação varia muito entre os Estados. Porém, a grande responsabilidade está nas mãos do motorista. “Tudo depende do motorista. O perigo está em qualquer lugar, tudo vai da atenção dele no trânsito”, analisou.

. Saúde

As viagens de Carlos Henrique Ribeiro o tornaram um defensor da prática esportiva sobre duas rodas. Para ele, a bicicleta faz bem ao coração e ao meio ambiente. “Se o motorista esquecer um pouco o carro na garagem e pegar sua bicicleta para passear, seria muito importante até para o meio ambiente. Sem falar no bem que ela faz para a saúde. Às vezes, as pessoas acham que passaram dos 40 e não conseguirão pedalar de uma esquina a outra. Mas o importante é persistir”, ensina Carlos Henrique Ribeiro.

Repórter e foto : Polliane Torres

Fonte: http://www.diariodoaco.com.br




 

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