Ipatinga, 11 de Julho de 2020
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Ipabenses fecham rodovia BR-458 e depredam ônibus

Manifestantes reclamam que mesmo depois do novo acesso, que encurta a viagem em até 4 km, preço da tarifa na linha Ipatinga-Ipaba não diminuiu


TELHAS, GALHOS de árvores, valia tudo para bloquear a rodovia, que permanecia obstruída ainda no início da noite

Pelo menos seis ônibus da Univale – empresa concessionária do transporte público entre Ipaba e Ipatinga - foram depredados durante manifestação realizada nesta segunda-feira (24). Os veículos tiveram janelas e para-brisas quebrados. Dois deles estavam parados no Centro da cidade e outros quatro foram atacados na garagem da empresa. Não havia ninguém dentro dos coletivos e por isso felizmente os danos foram apenas materiais. Segundo a Polícia Militar, três pessoas foram presas pelas depredações. Mais tarde, o tráfego na BR-458 também foi fechado. Populares pegaram diversos tipos de objetos, de galhos de árvores e telhas de amianto, para obstruírem a rodovia.

O protesto de Ipaba é pelo valor da passagem. São R$ 4,15 cobrados atualmente, representando R$ 8,30 diariamente para quem se desloca de ida e volta no percurso até Ipatinga. A principal alegação dos manifestantes é que mesmo após o novo acesso – construído no Km 133 da BR-458 -, que encurta a viagem entre as cidades em 4 km, o preço da tarifa não foi reduzido.

RUAS FECHADAS

A manifestação começou pacífica pelas ruas do Centro de Ipaba, por volta de 6h, com a participação de cerca de 100 pessoas, segundo a PM. Mas horas depois, os ânimos se acirraram. Um grupo atirou pedras na Prefeitura. Outros atearam fogo em pneus e madeiras, fechando as duas únicas entradas da cidade. Até o princípio da tarde, somente ambulâncias e carros da Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho tinham permissão para passar.

RODOVIA FECHADA

Por volta de meio-dia, os manifestantes avançaram pela nova estrada de ligação com a BR-458 e pretendiam fechar a rodovia, mas num primeiro momento foram contidos pela PM, com apoio da tropa de choque. Militares do GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) e da Cia. de Recobrimento montaram uma barreira e impediram que os manifestantes seguissem. Contudo, duas horas depois de uma tensa negociação a passeata dos populares seguiu adiante, obstruindo completamente a BR, situação que perdurava até a noite. Eles lançaram mão dos mais diversos tipos de objetos para bloquear a pista, desde galhos, troncos e pedras até pedaços de telhas de amianto. Um grande congestionamento se formou no local, sem que qualquer veículo pudesse cruzar a região, nos dois sentidos.

PASSAGEM

A redução da tarifa de ônibus era esperada desde 2011, quando a Univale começou a usar o novo acesso à rodovia pela estrada A-900. Para entrar na cidade, atualmente as linhas que fazem o itinerário Ipatinga/Ipaba passam pelo acesso antigo, próximo ao Vale Verde, e saem pela nova passagem. O novo acesso permitiu a redução de 4,5 km no percurso. Enquanto pela estrada velha a viagem total era de 22,5 km, pela nova o percurso é de 18 quilômetros.

Mas, se por um lado o novo acesso encurtou o tempo de viagem, por outro a tarifa permaneceu inalterad. Este foi o principal motivo da manifestação que deixou a cidade “ilhada” nesta segunda, além de comprometer o deslocamento de centenas de pessoas que precisavam deixar o Vale do Aço ou pretendiam chegar até ele. Lideranças de bairro consideram arbitrário o valor cobrado pela tarifa. “Há muito tempo nós estamos reivindicando. Isso não é de agora. A viagem encurtou, mas o preço da passagem continua alto”, disse Paulo Sérgio de Jesus, presidente da Associação dos Moradores do Bairro Primavera.

IMPASSE

O problema parece ainda estar longe de ser solucionado. Como o transporte é intermunicipal, as negociações são feitas entre o Estado e a empresa concessionária e as passagens são reajustadas anualmente. No início deste ano uma representação que questiona o valor da tarifa foi entregue ao Ministério Público.

O coordenador de Transportes da Univale, Getúlio Araújo Costa, afirmou que a empresa também já fez um pedido junto ao Estado para a adequação da tarifa de acordo com o percurso. A ideia, segundo ele, é que os ônibus entrem e saiam pelo novo acesso, encurtando ainda mais o percurso. Caso o Estado e a empresa cheguem a um consenso o valor cobrado pelo bilhete passaria dos atuais R$ 4,15 para R$ 3,55, havendo uma economia de 6 km na viagem e R$ 0,60 no valor da passagem.

Foto: Lairto Martins

Fonte: http://www.jvaonline.com.br


 

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