Ipatinga, 8 de Julho de 2020
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MP denuncia investigadores da Polícia Civil por duplo homicídio

Justiça ainda acatou o pedido de prisão preventiva contra os detetives Fabrício Quenupe, Ronaldo Oliveira e Elton Pereira (foto)


Fabrício de Oliveira Quenupe, conhecido como “Alemão”, 30 anos; Ronaldo de Oliveira Andrade, 40 anos, e Elton Pereira Costa, 46 anos, que é vereador no Paraíso

Três investigadores da Polícia Civil foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por um duplo homicídio ocorrido em 2010, enquanto eram lotados na 1ª Delegacia Regional de Ipatinga. A acusação foi acatada pela juíza da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ipatinga, Ludmila Lins Grilo, na semana passada, que ainda converteu as prisões temporárias dos acusados em prisões preventivas.

Ronaldo de Oliveira Andrade, 40 anos, Elton Pereira Costa, 46 anos, e Fabrício de Oliveira Quenupe, conhecido como “Alemão”, 30 anos, foram denunciados pelo MP como os principais responsáveis pelas mortes do lavador de carros Marcos Vinícius Lopes de Oliveira, 18 anos, e Glauco Antônio Lourenço, de 22 anos. O crime foi descoberto no dia 10 de julho de 2010. As vítimas foram executadas com dois tiros na cabeça e os corpos encontrados nus e em avançado estado de decomposição.

INVESTIGAÇÕES

Conforme as investigações feitas pela equipe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Belo Horizonte, no dia 25 de junho de 2010, no Córrego Boa Vista, localidade conhecida como Ipabinha, em Santana do Paraíso, os detetives Ronaldo, Elton e Fabrício desferiram diversos disparos de arma de fogo contra os dois jovens.

O inquérito policial aponta que após as execuções, os detetives tiraram as roupas das vítimas como forma de dificultar a identificação dos corpos e ainda ocultaram os cadáveres. O caso foi reaberto quase três anos depois pela força tarefa do DIHPP instalada em Ipatinga após as mortes do jornalista e radialista Rodrigo Neto, e do repórter fotográfico Walgney Carvalho. A equipe que investigou novamente o caso considerou que os investigadores acusados agiram com “animus necandi”, por meio cruel, por motivo torpe e com a utilização de recurso que dificultou a defesa das vítimas.

DENÚNCIA

A denúncia do Ministério Público foi feita no último dia 27 de junho, juntamente com o pedido de prisão preventiva para os suspeitos no duplo homicídio. O MP justificou que a liberdade dos denunciados é uma ameaça à ordem pública, e acredita que eles e outros policiais civis podem fazer parte de um “grupo de extermínio” no Vale do Aço. “A liberdade dos mesmos por si só amedronta a população e macula a imagem da Polícia Civil mineira”, diz trecho da denúncia que justifica o pedido de prisão preventiva ao Judiciário. Os detetives encontram-se detidos desde maio deste ano na Casa de Custódia do Policial Civil em Belo Horizonte.

PROVAS

Durante as investigações, a polícia ainda conseguiu o depoimento de uma pessoa que contou que no dia em que Glauco e Marcos Vinícius estavam detidos eles foram submetidos a sessões de tortura. Conforme o depoimento, os investigadores chegaram inclusive a inserir agulhas debaixo das unhas dos presos. Outras testemunhas reconheceram o detetive Elton como sendo um dos plantonistas no dia do sumiço das vítimas.

Outro fator que, segundo o MP, considera primordial para acusar os três investigadores é que nas imediações onde os corpos foram localizados foram encontrados projéteis e estojos do calibre 9 milímetros, de uso restrito das forças policiais e muito usados por agentes da Polícia Civil.

Ainda segundo laudo do Instituto Médico Legal, as agressões encontradas nos cadáveres são as mesmas descritas nos relatos do inquérito policial. Com isso, o MP entendeu que Glauco e Marcos Vinícius foram agredidos enquanto estavam custodiados na cela da Delegacia Regional de Ipatinga e não tem dúvida de que a prisão preventiva dos denunciados é necessária “uma vez que o crime de homicídio é punido com reclusão e foi cometido com ‘animus’ doloso”, diz outro trecho da acusação do MP. “A materialidade e autoria estão demonstradas, pois estes são requisitos para a denúncia apresentada”, conclui o texto.

Foto: http://www.diariopopularmg.com.br


 

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