Ipatinga, 10 de Julho de 2020
PERSONAGENS

CORONEL FABRICIANO

História da cidade de CORONEL FABRICIANO, emancipada no dia 27 de dezembro de 1948


Depois de um longo processo tramitado na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG), o governador Milton Campos assina a Lei nº. 336 criando o município de Coronel Fabriciano, emancipando-se de Antônio Dias

A História de Coronel Fabriciano, um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, inicia-se muito antes de sua emancipação, em 20 de janeiro de 1949. Ela remonta ao final do século XVI, com o início da ocupação da região do Vale do Rio Doce e até mesmo de seu estado.

A colonização da região, originalmente habitada pelos índios Botocudos, se deu com a descoberta de ouro nas regiões central e Leste do estado de Minas Gerais. Na década de 1920, com a construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas, o município começou a desenvolver-se economicamente, elevando-se a distrito de Antônio Dias em 1927. Entre as décadas de 1930 e de 1940 o município ganhou outro grande impulso com a fundação das grandes unidades industriais, sendo que emancipou-se no ano de 1948. Em 29 de abril de 1964 emanciparam de Coronel Fabriciano as cidades de Ipatinga e Timóteo. Com isso a cidade deixou de sediar as grandes empresas da região: a ArcelorMittal Timóteo (antiga Acesita) e a Usiminas, passando a pertencer a Timóteo e Ipatinga, respectivamente. O nome é uma homenagem ao tenente-coronel Fabriciano Felisberto Carvalho de Brito, que, além de comerciante, teria iniciado sua carreira com uma modesta sapataria.

Atualmente pertencente à mesorregião do Vale do Rio Doce e microrregião de Ipatinga, localiza-se a nordeste da capital do estado, distando desta cerca de 198 quilômetros. Ocupa uma área de 222,08 km² e sua população foi estimada em 2009 pelo IBGE em 105 037 habitantes, sendo assim o 26º mais populoso do estado de Minas Gerais e o 2º de sua microrregião. Está a 1424 quilômetros de Brasília, capital federal.

Primórdios da colonização

No século XVII entradistas seguiam pela região do Leste mineiro à procura de pedras preciosas, local que até então era habitado pelos índios Botocudos. A chegada dos europeus à região do Vale do Aço, que vieram em busca de escravos e riquezas minerais, deu-se pelo Rio Doce e posteriormente pelo Piracicaba. O massacre sistemático dos índios começou cerca de oito anos mais tarde, quando D. João VI separou a região em divisões militares. O que se seguiu foi um dos maiores massacres indígenas da história do Brasil. Anos mais tarde a descoberta de ouro nas regiões central e Leste do atual estado de Minas Gerais fez com que vilas e povoados crescessem nesta região. Pouco tempo depois, a Coroa portuguesa proibiu o povoamento do Leste mineiro para evitar o contrabando de materiais de valor. Na segunda metade do século XVIII doutor Antônio Noronha ordenou a construção de uma estrada ao leste da então Capitania de Minas Gerais, justificando-se de que havia pedras preciosas nessa região, como ouro e diamantes. A estrada foi concluída poucos anos depois.

O primeiro civilizado a pisar em solo do atual município de Coronel Fabriciano foi José de Assis Vasconcelos, vindo em 1752 de Sant"ana do Alfié, região que atualmente é conhecida como Serra da Vista Alegre, no município de Dionísio. Atravessou o Rio Piracicaba e abriu na margem esquerda do rio uma posse no lugar que hoje é conhecido por Sítio Velho, nas redondezas de onde atualmente está a Usiminas - hoje no município de Ipatinga. Francisco Rodrigues Franco, procedente de Antônio Dias, foi o primeiro habitante a estabelecer-se na região no ano de 1800. De Leopoldina, em 11 de setembro de 1831, veio Francisco de Paula e Silva Santa Maria, que era mais conhecido por Chico Santa Maria, por ele ter nascido na cidade de Santa Maria de Itabira. Veio juntamente com sua família e numerosos escravos, instalando-se onde hoje está a Fazenda do Alegre. Conhecido fazendeiro naquela cidade, recebeu, como prêmio do Imperador D. Pedro II por ter contribuido com o desbravamento da região, três sesmarias: Alegre, Limoeiro e Timóteo, as quais foram divididas por ele. Anos mais tarde chegou Francisco Romão, que estabelecera-se à esquerda do Rio Piracicaba. Com uma canoa fazia o transporte de pessoas e mercadorias, ligando as atuais cidades de São Domingos do Prata, Antônio Dias, Mesquita e Joanésia, pelos rios Piracicaba, Doce e Santo Antônio.

João Teixeira Benevides trouxe de Ferros a primeira professora (sua sobrinha Maria de Lourdes de Jesus) e doou terrenos para a primeira escola, o primeiro cemitério, que localiza-se no atual bairro Giovannini e para a igreja do então povoado de Santo Antônio do Calado, hoje o distrito Senador Melo Viana. João Teixeira chegou ao arraial de Santo Antônio do Gambá em 1919, recém-casado com Guilhermina Ribeiro da Silva, ambos do povoado de Santana de Ferros, pertencendo à cidade de Ferros.

Estação Ferroviária do Calado

Com a chegada dos topógrafos incumbidos de continuar a locação da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), cuja obra havia sido paralisada devido a decorrência da Segunda Guerra Mundial, começaram os primeiros movimentos da embrionária cidade de Coronel Fabriciano, que, a 9 de julho de 1924, viu ser inaugurada a Estação Ferroviária do Calado. Com a inauguração do terminal ferroviário começaram a ser levantadas as primeiras moradias, verdadeiros barracos. Somente em 1928 é que foi construída, a não ser a estação ferroviária, a primeira casa coberta com cerâmica e assoalhada: o sobrado de Rotildino Avelino; que ainda existe na esquina da atual rua Pedro Nolasco com a rua Coronel Silvino Pereira, sendo considerado um importante patrimônio da cidade. Atualmente no local funciona uma farmácia.

Em virtude da Lei Estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923 o município foi elevado a distrito, instalando-se a 7 de maio de 1927 no então patrimônio de Santo Antônio, que passou a chamar-se Melo Viana (atualmente é nome de um dos bairros mais populosos da cidade), tendo sido nomeado seu primeiro Juiz de paz o cidadão Manoel Camilo da Fonseca, que deu posse ao seu primeiro escrivão de paz, o Senhor João Batista Pereira. Os primeiros registros civis feitos foram: o batismo das gêmeas Duraci de Distaneta, filhas do casal Antônio Viana e o casamento do Sírio Maron Abibi com Geralda Honrata de Souza. Em 1° de março de 1930 foi realizada no novo distrito a primeira eleição.

Índios Botocudos e suas culturas

Os Botocudos, também conhecidos como Krenák, foram um dos primeiros povos a povoar a região do atual município de Coronel Fabriciano. Até o contato com os portugueses, eram predominantemente caçadores e coletores seminômades, com organização social caracterizada pelo constante fracionamento do grupo, pela divisão do trabalho por sexo e idade e um sistema religioso centrado na figura dos Marét e dos espíritos de seus mortos, os Nanitiong, responsáveis pela fecundação das mulheres humanas e por emitir avisos de morte. Para eles, os Marét eram habitantes das esferas superiores, os grandes ordenadores dos fenômenos da natureza e, dentre eles, se destacava o Marét-khamaknian, herói criador dos homens e do mundo, benevolente e civilizador da humanidade. Pertenciam ao grupo linguístico Macro-Jê, falando um idioma denominada Borun. Somente as mulheres com mais de quarenta anos eram bilíngues, enquanto os homens, jovens e crianças de ambos os sexos também eram falantes do português.

Atualmente restam poucos vestígios dos índios. Foram encontrados uma Igaçaba (um grande pote de argila), cachimbos e machados de pedra. Infelizmente, suas culturas ainda não são muito conhecidas, por falta de pesquisas aprofundadas e desenvolvimentos de estudos especializados na região. Atualmente o contingente demográfico dos Botocudos de Coronel Fabriciano e região do Vale do Rio Doce está reduzido a cerca de cento e oitenta indivíduos, sendo, na sua maioria, composto de crianças e jovens descendentes de relações interétnicas com outros grupos indígenas, como os Guarani, os Kaingang, e com a população regional. As maiores causas dessa predominância de mestiços são a invasão por moradores da região habitada pelos indígenas; o arrendamento pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) das terras do Posto Indígena Krenák; o processo de diáspora sofrido ao longo da administração do SPI e da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) em 1953 para o Posto Indígena Maxakalí, de onde voltaram a pé em 1959, e em 1973 para a Fazenda Guarani; e a convivência dos indígenas com os chamados "índios infratores" deslocados pela FUNAI de vários pontos do país, a partir de 1968, para o Reformatório Agrícola Indígena ou Centro de Reeducação Indígena Krenák.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), havia 307 habitantes de etnia indígena em 2000, cerca de 0,31% da população total.

Expansão econômica

A expansão econômica do então distrito de Melo Viana inicia-se em 1936, quando instala-se no Calado um escritório da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, sob a superintendência de doutor Joaquim Gomes da Silveira Neto. Aqui a empresa centralizou um grande negócio de exploração de madeira e produção de carvão em toda a região do Leste mineiro. O objetivo da produção era alimentar os fornos de sua siderúrgica em João Monlevade. A essa companhia deve-se um grande impulso na cidade como núcleo urbano organizado. Várias ruas e avenidas foram abertas e construções de diversos tipos iniciadas, especialmente as primeiras casas de alvenaria. Também neste período foi construído o Hospital Siderúrgica, pela Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, para assistir os seus funcionários aqui sediados numa época de grande incidência de distintos males típicos das regiões tropicais. Atualmente, devido a precariedade e a superlotação o hospital corre o grande risco de falência, sendo assim Coronel Fabriciano poderá ficar sem nenhum hospital público.

O comércio na cidade começou o seu desenvolvimento com a construção da Estação do Calado, em 1924. O primeiro estabelecimento comercial do município foi o Sobrado dos Pereira, localizado na esquina das ruas Pedro Nolasco com a Silvino Pereira. Era uma loja de tecidos e alimentos. No início da década de 1940 foi inaugurada outra importante loja: a Casa Giovannini, que vendia ferragens, querosene e mantimentos. Em 1948 foi inaugurada a primeira filial de uma grande loja: a Pernambucanas. Em 1944, com a instalação da Acesita - Companhia de Aços Especiais Itabira, atualmente chamada Aperam South America na região, Coronel Fabriciano recebeu outro grande impulso que transformou o então distrito no município de hoje. Em 1952 foi instalada no então distrito de Ipatinga a Usiminas.

Escolha do nome

O primeiro nome do lugar quando mata virgem, foi Barra, por achar-se localizado na confluência do córrego Caladão com o Rio Piracicaba, passando a denominar-se Calado, que provêm de Calado d"água, que significa profundidade mínima da superfície de um rio para que alguma embarcação possa flutuar. Por poucos anos teve ainda diversas denominações, como Santo Antônio do Calado, Santo Antônio do Gambá e Raul Soares, nome de outro município do Leste mineiro, voltando novamente ao nome de Calado. Em agosto de 1940, foi batizada com o nome de Coronel Fabriciano, em homenagem ao tenente-coronel Fabriciano Felisberto Carvalho de Brito, por ocasião de seu centenário de nascimento.

Fabriciano nasceu em Antônio Dias dia 22 de agosto de 1840. Foi filho do professor primário Antônio de Brito e de dona Theresa Umbelina. Era casado com dona Ana Angélica de Carvalho Brito e com ela teve cinco filhos; ambos se tornaram influentes políticos de Coronel Fabriciano. Veio a falecer no dia 28 de junho do ano

Emancipação política

Em 27 de dezembro de 1948, depois de um longo processo tramitado na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG), o governador Milton Campos assina a Lei nº. 336 criando o município de Coronel Fabriciano, emancipando-se de Antônio Dias. A instalação oficial se deu no dia 1º de janeiro de 1949 em sessão presidida por José Anastácio Franco. Assumiu como intendente o doutor Antônio Gonçalves Gravatá com o objetivo de organizar a administração municipal e entregá-lo ao prefeito oficial, eleito pela população. E assim, a 15 de março de 1949, tomaram posse o prefeito Rubens Siqueira Maia, vice-prefeito Coronel Sílvino Pereira e os vereadores: Nicanor Ataíde, Lauro Pereira, Ary Barros, José Anatólio Barbosa, Wenceslau Martins Araújo, Sebastião Mendes Araújo, José Paula Viana, Raimundo Martins Fraga e José Wilson Camargo.[19]

Apesar da emancipação em 27 de dezembro de 1948, foi assinado um acordo com a paróquia local, no qual a data oficial da fundação da cidade é considerada 20 de janeiro de 1949 em homenagem ao dia do padroeiro da cidade, São Sebastião. Sendo comemorado o aniversário dia 20 de janeiro.

Divisão territorial

Em 7 de setembro de 1923 o então povoado de Santo Antônio de Piracicaba foi elevado a distrito de Antônio Dias pela lei estadual nº 823, sob a denominação de Melo Viana. Após a emancipação de Coronel Fabricaiano, que ocorreu em 27 de dezembro de 1948, pela divisão territorial datada de 1° de julho de 1955 o município passou a ser constituído de quatro distritos: A Sede, Barra Alegre, Ipatinga e Timóteo. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1° de julho de 1960. Pela lei estadual nº 2764, de 30 de dezembro de 1962, desmembrou de Coronel Fabriciano os distritos de Ipatinga e Barra Alegre para formar o novo município de Ipatinga. Pela mesma lei estadual desmembrou do município o distrito de Timóteo e ainda foi criado o distrito Senador Melo Viana anexando-se ao município de Coronel Fabriciano, sendo que Ipatinga e Timóteo vieram a ser emancipadas em 29 de abril de 1964, quando suas fundações foram decretadas por José de Magalhães Pinto. Com a emancipação desses municípios, tendo como seus primeiros prefeitos José Antônio de Araújo e Fernando Santos Coura, respectivamente, Coronel Fabriciano deixou de sediar as grandes siderúrgicas da região: a ArcelorMittal Timóteo passou a localizar-se em território timotense e a Usiminas na cidade de Ipatinga.

Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963 o município passou a ser constituído de dois distritos: Sede e Senador Melo Viana. Assim permanece até os tempos atuais. Poucos anos antes da fundação da cidade ainda houve ainda um fracassado plano de emancipação do distrito Senador Melo Viana, fato que é pouco conhecido atualmente no município. A área do pretendido município teria uma linha divisória a partir da Avenida Presidente Tancredo de Almeida Neves (antigo trecho da BR-381, municipalizado recentemente), que corta os atuais bairros Todos os Santos, Bom Jesus e região do Caladinho. O projeto foi registrado na Secretaria de Interior do Estado, porém não obteve o resultado desejado.

Símbolos municipais

Após a emancipação de município também foram criados os símbolos municipais. Na década de 1950 foi composto pelo poeta e compositor Mozart Bicalho o hino de Coronel Fabriciano. São dessa época também a bandeira e o brasão municipal. Em ambos está representado o lema municipal: "Deus, Pax Et Prosperitas". Vem do latim e significa Deus, Paz e Prosperidade.

VÍDEO: Projeto "Pioneiros do Vale do Aço" - Coronel Fabriciano

VÍDEO: Conheça Coronel Fabriciano cidade pioneira do Vale do Aço




 

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