10 pontos turisticos do rio de janeiro para além do óbvio: experiências autênticas da cidade carioca

10 pontos turisticos do rio de janeiro para além do óbvio: experiências autênticas da cidade carioca

Quando a gente fala em Rio de Janeiro, quase sempre aparecem as mesmas imagens: Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Copacabana lotada de guarda-sóis coloridos. Tudo lindo, claro. Mas a cidade é muito mais do que o “postal” que costuma aparecer nos guias tradicionais.

Neste artigo, selecionei 10 experiências cariocas para além do óbvio, pensadas para quem gosta de andar a pé, pegar transporte público, conversar com morador, provar comida local e voltar pra casa com histórias diferentes das fotos de sempre.

Organizei o conteúdo de forma prática: como chegar, quanto tempo ficar, faixa de preço e cuidados. É o tipo de roteiro para encaixar em um fim de semana ou feriado prolongado – e que pode combinar bem com uma viagem saindo do Vale do Aço, por exemplo.

Pedra do Sal: samba de raiz e história viva

A Pedra do Sal fica na região portuária, na Pequena África, berço do samba e de importantes movimentos da cultura negra no Rio.

O que você encontra lá

  • Roda de samba de raiz na rua (geralmente às segundas e sextas à noite)
  • Barzinhos simples, cerveja gelada e comida de boteco
  • Escadarias históricas e grafites
  • Ambiente bem popular, com muitos cariocas

Como chegar

  • Metrô: descer na estação Uruguaiana ou Presidente Vargas e caminhar cerca de 15–20 minutos.
  • VLT: estação Cinho Arcoverde ou Parada dos Museus, caminhada curta.
  • Uber/táxi: peça para ir até a “Pedra do Sal, na Gamboa”.

Melhor horário e tempo de visita

  • Noite, depois das 19h, em dias de roda de samba.
  • Reserve de 2 a 4 horas, dependendo do seu ritmo.

Preços médios

  • Cerveja long neck: R$ 8–12
  • Espetinho/petiscos: a partir de R$ 15

Cuidados

  • Evite levar objetos de muito valor.
  • Fique atento na volta: se estiver tarde, prefira Uber/táxi até o hotel.

Praia da Reserva: mar carioca sem tumulto

Entre a Barra da Tijuca e o Recreio, a Praia da Reserva é um respiro para quem quer mar limpo, faixa de areia ampla e bem menos ambulantes gritando “queijo coalhooo!”.

O que você encontra lá

  • Quase nada de prédios na orla – paisagem mais “natureza”
  • Quisoskes estruturados e também trechos bem vazios
  • Mar mais forte: bom para quem gosta de onda, exige atenção

Como chegar

  • BRT até as estações na Avenida das Américas (Reserva/Marapendi) e caminhar até a praia.
  • De carro, pela Av. Lúcio Costa ou Av. das Américas (há bolsões de estacionamento na areia, pagos).

Melhor horário e tempo de visita

  • Manhã até o início da tarde, por causa do sol forte.
  • Programe meio dia ou dia inteiro de praia.

Preços médios

  • Aluguel de cadeira + guarda-sol: R$ 20–40 por pessoa (dependendo do quiosque).
  • Prato de peixe para 2: R$ 90–150.

Cuidados

  • Use protetor solar reforçado: quase não há sombra natural.
  • Observe sempre a bandeira de segurança do mar e a orientação dos guarda-vidas.

Santa Teresa a pé: bondinho, ateliês e botecos

Santa Teresa é aquele bairro que parece cidade pequena em plena capital: casario antigo, ladeiras, ateliês de artistas e um clima boêmio tranquilo durante o dia.

O que você encontra lá

  • Ateliês abertos à visitação (principalmente nos fins de semana)
  • Barzinhos com vista, como o Bar do Mineiro e o Café do Alto
  • Ruas de paralelepípedo, casinhas coloridas, grafites
  • O famoso bondinho de Santa Teresa

Como chegar

  • VLT ou metrô até a região da Cinelândia e caminhada até o Largo da Carioca (saída do bondinho).
  • Uber até o Largo dos Guimarães (bom ponto de partida para explorar).

Bondinho de Santa Teresa

  • Horário geral: em torno de 8h às 18h (pode variar, confira antes).
  • Valor aproximado: cerca de R$ 20 (inteira) por trecho.

Tempo de visita

  • Reserve pelo menos meio dia para caminhar sem pressa.

Cuidados

  • Use calçado confortável: tem ladeira e calçada irregular.
  • Evite ruas muito vazias à noite, prefira se manter nos trechos mais movimentados.

Feira de São Cristóvão: Nordeste dentro do Rio

A Feira de São Cristóvão, ou Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, é um mergulho na cultura do Nordeste sem sair do Rio.

O que você encontra lá

  • Restaurantes com comida nordestina farta (baião, carne de sol, carne de bode)
  • Shows de forró, xote, xaxado
  • Lojinhas de artesanato, roupas, cachaças, temperos

Como chegar

  • Metrô: estação São Cristóvão; de lá, cerca de 10 minutos de caminhada.
  • Trem: também desce em São Cristóvão.

Horários e tempo de visita

  • Funciona praticamente todos os dias; o movimento aumenta à noite e nos fins de semana.
  • Reserve de 3 a 4 horas se quiser comer, andar e ainda ver algum show.

Preços médios

  • Entrada: em muitos dias a entrada é gratuita, em outros há cobrança simbólica (R$ 5–10).
  • Refeição para 2 pessoas: R$ 70–120, dependendo do restaurante.

Cuidados

  • Leve dinheiro ou cartão: nem todas as barracas aceitam PIX.
  • Chegue cedo nos fins de semana se quiser evitar aglomeração.

Pedra do Telégrafo: foto famosa, trilha acessível

A foto na ponta da pedra “sobre o abismo” rodou o mundo, mas muitos ainda não sabem que o clima lá em cima é bem família, com vendedores de água de coco e fila organizada para a foto.

Onde fica

  • Em Barra de Guaratiba, zona oeste do Rio, dentro de uma área de mata preservada.

Como chegar

  • Ônibus da Zona Sul/Centro até Barra de Guaratiba (demora, mas é possível).
  • Uber/táxi até o início da trilha (ponha “Trilha Pedra do Telégrafo” no app).

A trilha

  • Duração: 40–60 minutos de subida, dependendo do ritmo.
  • Nível: moderado, com alguns trechos íngremes, mas bem marcada.

Melhor horário

  • Cedo, entre 7h e 9h, para evitar o sol forte e pegar menos fila para a foto.

Cuidados

  • Leve água, chapéu, protetor e tênis (não é trilha para ir de chinelo).
  • A famosa foto “no abismo” é feita em um ponto seguro, mas não abuse da autoconfiança.

Real Gabinete Português de Leitura: refúgio silencioso no Centro

No meio do Centro do Rio, cheio de buzina, vendedores e trânsito, existe um salão silencioso, com quase 400 mil volumes e uma arquitetura que impressiona em qualquer foto: o Real Gabinete Português de Leitura.

O que você encontra lá

  • Salão principal com estantes altíssimas e vitrais coloridos
  • Ambiente muito fotogênico (mas respeite o silêncio)
  • Poucos turistas em comparação com pontos mais famosos

Como chegar

  • Metrô: estação Uruguaiana ou Carioca, cerca de 5–10 minutos a pé.

Horário e tempo de visita

  • Geralmente abre em horário comercial nos dias úteis (confira o horário atualizado antes de ir).
  • Em 30–40 minutos você consegue conhecer bem o espaço.

Preços

  • Entrada gratuita.

Cuidados

  • Vá com mochila pequena; em dias cheios, alguns itens podem precisar ficar no guarda-volumes.
  • Respeite as áreas em que não é permitido usar flash ou circular.

Mirante Dona Marta: vista de cartão-postal sem multidão

Se você quer vista do Pão de Açúcar, Baía de Guanabara, Cristo e Maracanã de um único ponto, o Mirante Dona Marta é uma ótima opção – e bem menos cheio do que o Pão de Açúcar em muitos horários.

Como chegar

  • Uber/táxi: é o jeito mais simples. Coloque “Mirante Dona Marta” e combine com o motorista se ele pode esperar alguns minutos.
  • Carro próprio: siga pela Ladeira dos Guararapes até o estacionamento próximo ao mirante.

Horário e tempo de visita

  • Manhã e fim de tarde são os melhores momentos para fotos.
  • Em 30–60 minutos você conhece o mirante com calma.

Preços

  • Acesso gratuito (pode haver cobrança de estacionamento em alguns pontos).

Cuidados

  • Evite ir muito cedo ou muito tarde se estiver sozinho.
  • Fique atento a orientações de segurança locais; o acesso passa próximo a áreas de comunidade.

Pista Cláudio Coutinho e trilhas da Urca

Na base do Pão de Açúcar, longe da correria da bilheteria, existe uma pista tranquila, arborizada, ótima para caminhar vendo o mar: a Pista Cláudio Coutinho.

O que você encontra lá

  • Estrada asfaltada, fechada para carros, ao pé do morro
  • Entradas para trilhas leves (como a que sobe ao Morro da Urca)
  • Vista para o mar, barcos e, muitas vezes, micos pelo caminho

Como chegar

  • Ônibus ou Uber até a Praia Vermelha, na Urca.
  • A entrada da pista fica no canto direito da praia.

Tempo de visita

  • Caminhada pela pista: 40–60 minutos (ida e volta) em ritmo tranquilo.
  • Se for subir pela trilha até o Morro da Urca, adicione mais 40–60 minutos de subida.

Preços

  • Acesso gratuito tanto à pista quanto à trilha.

Cuidados

  • Use tênis se for fazer trilha; ela é íngreme em alguns trechos.
  • Leve repelente e água.

Ilha de Paquetá: um dia sem carro e sem pressa

Paquetá é aquela viagem no tempo: rua sem carro, gente andando de bicicleta, casas antigas e um clima de interior dentro da Baía de Guanabara.

Como chegar

  • Barca saindo da Praça XV, no Centro do Rio.
  • Travessia dura em torno de 70 minutos, com horários fixos ao longo do dia.

O que fazer

  • Alugar bicicleta logo na chegada e rodar pela ilha inteira
  • Tomar banho de mar em praias calmas (lembrando que é dentro da baía)
  • Fotografar o pôr do sol na Praia José Bonifácio ou na Pedra da Moreninha

Preços médios

  • Passagem da barca: em torno de R$ 7–15 (consulte valor atualizado).
  • Aluguel de bicicleta: cerca de R$ 20–30 por hora.

Tempo de visita

  • Ideal para um bate-volta de dia inteiro.

Cuidados

  • Leve dinheiro ou cartão, mas não espere grande variedade de serviços como em bairros centrais.
  • Confira os horários da barca de volta para não se apertar ao fim do dia.

Boulevard Olímpico e Praça Mauá ao entardecer

A região portuária, revitalizada para as Olimpíadas, rende um passeio completo, principalmente no fim da tarde, quando o calor diminui.

O que você encontra lá

  • Mural Etnias (um dos maiores grafites do mundo)
  • Passeio à beira da baía, com vista para o pôr do sol
  • Museu do Amanhã e Museu de Arte do Rio (MAR), lado a lado
  • Food trucks e eventos esporádicos na praça

Como chegar

  • VLT: desça na estação Parada dos Museus ou Praça Mauá.
  • Ônibus e Uber também chegam com facilidade.

Tempo de visita

  • Caminhada externa: 1–2 horas.
  • Se incluir visita ao Museu do Amanhã ou MAR, adicione 2–3 horas por museu.

Preços médios

  • Entrada no Museu do Amanhã e MAR gira em torno de R$ 20–30 (inteira) cada, com meia entrada para estudantes e descontos em alguns dias.

Cuidados

  • Em dias de calor, leve água: a área é bem aberta, com pouco sombreamento.
  • À noite o movimento diminui; programe-se para voltar em horário confortável.

Ilha de Guaratiba: gastronomia caiçara e manguezal

Se você gosta de comer bem e explorar áreas mais naturais, Guaratiba é uma boa pedida. A região reúne manguezais, restaurantes de frutos do mar à beira da água e um clima bem diferente da Zona Sul.

O que você encontra lá

  • Restaurantes sobre palafitas, com mesas quase “dentro” da maré
  • Pratos fartos de frutos do mar: moquecas, peixes, camarões
  • Passeios de barco simples pelos manguezais, em alguns estabelecimentos

Como chegar

  • Melhor opção é ir de carro ou Uber, especialmente se estiver em grupo.
  • Saindo da Zona Sul, considere cerca de 1h30 de deslocamento em horário sem muito trânsito.

Tempo de visita

  • Programe meio dia para almoço demorado, passeio e contemplação.

Preços médios

  • Prato de peixe/camarão para 2 pessoas: R$ 120–200, dependendo do restaurante.
  • Passeios de barco simples podem ser combinados no local, com valores variando.

Cuidados

  • Faça reserva nos restaurantes mais famosos em fins de semana.
  • Leve repelente: área de mangue costuma ter mosquito no fim da tarde.

Antes de montar seu roteiro carioca

Para aproveitar melhor esses pontos fora do circuito óbvio, vale organizar alguns detalhes:

  • Transporte: o metrô cobre bem Zona Sul e parte do Centro; VLT ajuda no Centro e Porto; BRT e ônibus alcançam a Zona Oeste, mas o tempo de viagem aumenta. Combine transporte público com Uber quando necessário.
  • Hospedagem: se a ideia é circular bastante, ficar em bairros como Centro, Lapa, Glória, Flamengo ou Botafogo ajuda a reduzir deslocamentos.
  • Segurança: lembre que você está em uma cidade grande: evite ostentar celular e câmera, especialmente à noite ou em áreas vazias, e siga as orientações dos moradores e guias locais.
  • Clima: o sol do Rio é forte o ano inteiro. Protetor, chapéu e garrafinha de água não são detalhe, são item obrigatório.

O Rio continua oferecendo o básico de sempre – Cristo, Pão de Açúcar, Copacabana – e vale muito ver tudo isso. Mas, se você encaixar pelo menos dois ou três dos lugares acima no seu roteiro, a experiência muda de patamar: você passa a conhecer não só a cidade das fotos, mas a cidade que o carioca vive no dia a dia.

E é aí que a viagem começa a ficar realmente autêntica.