Por que a Praia da Reserva virou “queridinha” de quem foge do agito
Entre a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, existe um trecho de areia que parece outro mundo: a Praia da Reserva. Menos prédios, menos barulho, menos vendedores ambulantes… e mais mar aberto, vegetação de restinga e aquela sensação rara de praia preservada em plena capital.
Para quem sai de Ipatinga ou de qualquer cidade do Vale do Aço rumo ao Rio, a Reserva costuma entrar no roteiro como “praia alternativa à Barra”, mas, na prática, ela tem uma pegada bem diferente: é mais vazia em dias de semana, tem quiosques mais organizados e uma faixa de areia larga, ótima para quem quer caminhar, fotografar ou simplesmente ficar sem música alta ao lado.
Neste guia, explico como chegar à Praia da Reserva, o que encontrar por lá, quanto tempo vale a pena ficar e alguns cuidados importantes antes de estender a canga.
Onde fica exatamente a Praia da Reserva
A Praia da Reserva fica na Avenida Lúcio Costa, no trecho conhecido como Reserva da Barra, entre o fim da Barra da Tijuca e o início do Recreio dos Bandeirantes. Ela faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) de Marapendi, por isso não tem aquele paredão de prédios grudado na orla.
Para se localizar melhor, pense assim:
Começo da Barra (pé do Morro do Vidigal, Leblon) → seguem vários quilômetros de praia com prédios e comércio;
Barra “central” (próximo ao Barramares, postos 4, 5, 6) → mais movimento, quiosques e trânsito intenso;
Seguindo sentido Recreio → você entra na faixa da Reserva, com poucos acessos, mais vegetação e menos construções;
No final da Reserva → começa o Recreio, já com mais prédios e quiosques novamente.
A praia da Reserva tem cerca de 8 km de extensão. Você não vai ver placas enormes dizendo “Praia da Reserva”, mas vai notar a diferença visual: menos gente, dunas, lagoas e quiosques mais espaçados.
Como chegar à Praia da Reserva saindo de diferentes pontos
Chegar até a Reserva não é difícil, mas exige um pouco de planejamento, principalmente para quem não está num hotel exatamente na Barra ou no Recreio. Abaixo, resumimos as opções mais usadas, incluindo transporte público.
De carro ou aplicativo (Uber, 99)
Para quem está vindo de fora do Rio e alugou carro, ou para quem prefere a praticidade do app, chegar de carro costuma ser o jeito mais direto.
Principais rotas:
Saindo da Zona Sul (Copacabana, Ipanema, Leblon): siga pela Av. Niemeyer (se estiver liberada) ou pelo Túnel Zuzu Angel e Elevado do Joá. Depois, entre na Barra, siga pela Av. Lúcio Costa sentido Recreio. Quando os prédios forem ficando mais escassos e você começar a ver longos trechos de vegetação, está na Reserva.
Saindo do Centro do Rio: vá pela Linha Amarela em direção à Barra da Tijuca. Depois, siga para a Av. das Américas e, dela, acesse a orla pela Av. Lúcio Costa em qualquer ponto da Barra, seguindo depois em direção ao Recreio até chegar à área da Reserva.
Saindo de Ipatinga ou do Vale do Aço de carro: a referência principal para o GPS é “Praia da Reserva, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro” ou o nome de alguns quiosques conhecidos, como “Quiosque Pesqueiro” ou “K8 Praia da Reserva”. Na prática, você chegará primeiro à Barra pela Av. das Américas e, de lá, descerá para a Lúcio Costa.
Sobre estacionamento:
Há vagas ao longo da Av. Lúcio Costa, do lado da praia, mas são concorridas aos fins de semana e feriados de sol.
Em dias cheios, muitos carros param em fila dupla, o que gera multas e reboque. Vale ficar atento às placas.
Alguns quiosques oferecem serviço de manobrista pago, principalmente na alta temporada.
Em 2024, o valor médio de estacionamento em áreas particulares na Barra e Recreio gira entre R$ 10 e R$ 25 a hora, variando de acordo com a proximidade da praia. Na Reserva em si, a tendência é usar as vagas de rua ou valets de quiosque.
De BRT + ônibus ou metrô + BRT
Para quem gosta de economizar ou está hospedado longe da Barra, o transporte público ajuda, mas exige ao menos uma baldeação.
Opção 1 – Metrô + BRT:
Pegue o metrô (Linha 4) até a estação Jardim Oceânico (Barra da Tijuca).
Conecte com o BRT na estação Jardim Oceânico, sentido Recreio/Terminal Pingo D’Água.
Desça em uma das estações mais próximas da Reserva (por exemplo, estação “Novo Leblon” ou alguma na Av. das Américas ao longo da APA de Marapendi).
De lá, você pode caminhar até a praia (trechos de 15 a 20 minutos, dependendo do ponto) ou pegar um ônibus de linha que faça a ligação até a Av. Lúcio Costa.
Opção 2 – Só BRT (para quem já está na Barra/Recreio):
Use o BRT ao longo da Av. das Américas.
Desça em um ponto relativamente central da Reserva e faça o complemento a pé ou de ônibus convencional até a orla.
O grande ponto de atenção é o horário: à noite o fluxo de BRT diminui, e a caminhada no trecho da Av. das Américas até a praia pode ficar deserta em alguns pontos. Para famílias com crianças, grupos pequenos ou quem está com bolsa de praia, é mais confortável usar carro ou aplicativo, principalmente na volta.
Melhores trechos para ficar na Praia da Reserva
A Reserva não é uma praia “igualzinha” do começo ao fim. Alguns trechos têm mais estrutura, outros são quase desérticos. Vale escolher de acordo com seu perfil.
Para quem quer quiosque estruturado (cadeira, guarda-sol, cardápio):
Trechos próximos a quiosques como Pesqueiro, K8 e companheiros.
Você encontra aluguel de cadeira e guarda-sol (em média entre R$ 15 e R$ 30 por cadeira/guarda-sol, dependendo do dia), além de cardápio com petiscos, frutos do mar, cerveja e drinks.
Para quem quer isolamento e “pé na areia” sem som alto:
Trechos mais afastados dos quiosques principais, ainda dentro da faixa da Reserva.
Aqui é mais comum ver moradores do Rio com guarda-sol próprio, cooler e pouco barulho. Ideal para quem quer ler, fotografar e caminhar.
Para famílias com crianças:
Atenção: a Praia da Reserva é de mar aberto, com ondas fortes e correnteza, assim como a Barra e o Recreio.
Mesmo nos trechos com quiosques, não é aquela praia “rasinha” tipo enseada. Boias de braço e atenção redobrada são indispensáveis.
Famílias costumam preferir ficar próximas a postos de salvamento, onde há presença de guarda-vidas.
O que esperar da estrutura: quiosques, banheiros e alimentação
A grande vantagem da Reserva é equilibrar preservação com um mínimo de conforto. Não espere o caminhar de vendedor a cada minuto, mas também não vá contando com “tudo à mão” em qualquer ponto.
Quiosques:
São mais organizados que muitos pontos da orla tradicional, com mesas, cadeiras e serviço de praia.
Boa parte funciona com cardápio digital (via QR code) e atendimento de garçons até as cadeiras na areia.
Em feriados prolongados e fins de semana de sol, vale chegar antes das 9h30 para conseguir lugares nos quiosques mais disputados.
Banheiros e duchas:
Os quiosques oferecem banheiros para clientes, geralmente com consumo mínimo ou taxa simbólica para não clientes.
Duchas de água doce costumam ser pagas, com valores variando entre R$ 5 e R$ 10 por uso, dependendo do lugar.
Comida e bebida (médias de preços em 2024):
Porções de batata frita: entre R$ 30 e R$ 50.
Porções de peixe/frituras de frutos do mar: de R$ 70 a R$ 150, dependendo do tamanho e do tipo.
Cerveja long neck: em média R$ 10 a R$ 15.
Drinks (caipirinha, caipivodka): entre R$ 25 e R$ 45.
Água e refrigerante: R$ 7 a R$ 12.
Os valores variam bastante conforme o quiosque e a temporada, então a dica é simples: olhe o cardápio antes de sentar e já pergunte sobre taxa de serviço, aluguel de cadeira e qualquer consumação mínima exigida.
Mar, vento e clima: o que a Reserva oferece de verdade
Visualmente, a Praia da Reserva impressiona: faixa de areia larga, dunas, vegetação baixa e um mar azul mais intenso em dias de céu limpo. Mas o cenário bonito vem com algumas características que merecem respeito.
Características do mar:
Ondas fortes e correnteza em boa parte do ano, assim como na Barra e no Recreio.
Valas (cavas) que podem “puxar” o banhista para dentro rapidamente.
Nem sempre o mar está adequado para crianças ou para quem não sabe nadar bem.
Guarda-vidas atuam na região, mas o ideal é:
Evitar entrar em pontos sem ninguém por perto.
Observar as bandeiras de sinalização: vermelha (perigo), amarela (atenção), verde (mais tranquilo, mas nem sempre significa mar calmo).
Perguntar ao próprio salva-vidas sobre o melhor ponto para banho no dia.
Vento e sensação térmica:
Em dias de vento forte, além de mar mexido, é comum levantar muita areia. O ideal é levar canga mais pesada ou cadeiras e evitar ficar muito perto da arrebentação quando o vento está lateral.
Por ser mais aberta e ter menos prédios fazendo sombra, o sol “bate” com força. Protetor solar reforçado, boné/chapéu e beber água sempre são itens obrigatórios.
Quanto tempo reservar para a visita
Se você está hospedado na Barra, na Zona Sul ou vindo do interior, vale planejar pelo menos meio dia na Praia da Reserva, principalmente se for usar quiosque e aproveitar o mar.
Tempo médio recomendado:
Meio dia (4 a 5 horas): suficiente para chegar, caminhar, tomar banho de mar, comer algo e voltar antes do trânsito pesado no fim da tarde.
Dia inteiro: para quem quer chegar cedo (entre 8h e 9h), pegar sol com mais tranquilidade de manhã, almoçar por lá e ficar até perto do pôr do sol.
Para quem vem de mais longe (por exemplo, saindo de Ipatinga num roteiro de fim de semana no Rio), a Reserva funciona bem como “praia principal do dia”: você escolhe ficar nela e deixa outras orlas para outro dia, evitando passar o dia pulando de uma praia para outra no trânsito.
Perfil de público e clima da praia
Uma das perguntas que mais escuto quando recomendo a Reserva é: “Mas é uma praia mais de família ou mais de galera jovem?” A resposta é: depende do trecho, do dia da semana e do horário.
Em dias de semana (fora de feriados):
Público mais calmo, muita gente trabalhando em home office que aproveita a manhã na praia, moradores da região e alguns turistas.
Ambiente geralmente silencioso, bom para quem quer realmente descansar.
Aos fins de semana de sol:
Mais famílias com crianças, grupos de amigos, casais.
Trechos próximos aos quiosques mais badalados ganham música ambiente (geralmente moderada), drinks e clima de confraternização.
Trechos mais afastados ainda mantêm aquele clima de “refúgio”.
Datas especiais e alta temporada:
Fim de ano, verão e feriados prolongados costumam lotar mais, inclusive com reserva de mesas em quiosques mais famosos.
O trânsito na Av. Lúcio Costa e na Av. das Américas pode ficar bem carregado, principalmente na saída da praia, entre 16h e 19h.
O que levar (e o que não esquecer de jeito nenhum)
Mesmo com quiosques, a Praia da Reserva ainda é uma praia com atmosfera mais “selvagem”. Isso significa que pequenas previsões fazem muita diferença no conforto do dia.
Itens que valem a pena levar:
Protetor solar de alto fator (FPS 50 ou mais), reaplicando a cada 2 horas.
Chapéu ou boné e óculos escuros.
Canga ou toalha grande; se possível, cadeira de praia própria para não depender do aluguel.
Garrafa de água (os preços nos quiosques são mais altos que no mercado).
Dinheiro ou cartão: a maioria dos quiosques aceita cartão, mas vendedores avulsos podem preferir dinheiro.
Uma sacola para seu lixo, já que estamos em área de proteção ambiental.
Cuidados com segurança:
Evite deixar bolsa e celular sozinhos na areia enquanto você entra no mar.
Se estiver em grupo, faça revezamento: uns entram no mar, outros ficam de olho nas coisas.
Evite levar documentos originais; uma cópia ou versão digital costuma ser suficiente.
Principais vantagens e armadilhas da Praia da Reserva
Para resumir, separei os pontos que mais chamam atenção de quem visita a Reserva pela primeira vez e também alguns “pegas” comuns que dá para evitar.
Por que vale a pena incluir a Praia da Reserva no roteiro:
Visual mais preservado, com menos prédios e mais natureza.
Praia menos lotada que a orla tradicional da Barra, principalmente em dias úteis.
Quiosques com estrutura de qualidade e boa oferta de comida e bebida.
Boa para caminhar longos trechos na areia e fazer fotos sem “poluição visual”.
Armadilhas e pontos de atenção:
Mar forte e traiçoeiro em boa parte do ano; não é a melhor praia para iniciantes na natação ou crianças pequenas sozinhas.
Acesso um pouco menos prático de transporte público; à noite, pode ficar deserto em alguns pontos.
Preços de alimentação e bebidas mais altos do que em bares de bairro; importante checar cardápio antes de consumir.
Estacionamento na rua disputado em fins de semana e feriados, com risco de multa se parar em local proibido.
Vale a pena para quem vem de Ipatinga ou do interior de MG?
Sim, especialmente se você já conhece as praias mais centrais do Rio (Copacabana, Ipanema, Leblon) e busca uma experiência diferente, com mais natureza e um ritmo menos acelerado.
Em um roteiro de 3 dias no Rio, por exemplo, dá para planejar assim:
Dia 1: centro histórico, Lapa e Pão de Açúcar;
Dia 2: Cristo Redentor e alguma praia mais urbana (Copacabana ou Ipanema);
Dia 3: Praia da Reserva como “dia de descanso”, pegando sol, caminhando na areia e almoçando num quiosque à beira-mar.
O custo da visita vai depender basicamente do deslocamento e do quanto você consome em quiosques. Quem leva lanche, água e usa apenas uma estrutura mínima (cadeira/guarda-sol) consegue reduzir bastante o orçamento. Já quem gosta de porções, drinks e conforto à beira-mar vai gastar mais, mas, em troca, curte um dia completo em um cenário mais preservado.
No fim das contas, a Praia da Reserva é aquela escolha para quem gosta de praia de verdade: mar aberto, sol forte, muito espaço na areia e um pé de mata atlântica lembrando que, ali, ainda existe um pedaço de Rio menos concreto e mais natureza. Para quem sai de cidades como Ipatinga, onde a praia mais próxima exige algumas horas de estrada, aproveitar bem esse cenário faz cada quilômetro rodado valer a pena.